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Ex-presidentes de confederações teriam recebido propina por três torneios distintos

O esquema de corrupção envolvendo Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero, denunciado pelo FBI, já havia sido desvendado na época da prisão de José Maria Marin, em maio, na Suíça. Na ocasião, o órgão americano classificava os dois como “co-conspiradores” em negociatas.

Agora, a nova peça judicial nomina ambos e detalha ainda mais o esquema. Em 2012, Teixeira, Marin e Del Nero, por exemplo, passaram a receber R$ 2 milhões anuais em propina pelos direitos de transmissão da Copa do Brasil.

O acordo iria até 2022. Os pagamentos foram feitos por José Hawilla, dono da Traffic, e pelo co-conspirador #7, ainda não  apontado pelo FBI mas que, aparentemente, se trata de Kléber Leite, sócio da Klefer, empresa que possui atualmente os direitos de transmissão da competição.

Ricardo Teixeira também é acusado pela justiça americana de receber, em 1996, cerca de R$ 77 milhões em propina pela assinatura do contrato entre a CBF e uma empresa americana de material esportivo. No ano seguinte, a Seleção trocou a fornecedora britânica Umbro pela Nike.

O trio de ex-presidentes também é acusado de receber propinas por causa da venda de direitos da Copa América de 2013 e posteriores e da Copa Libertadores da América desde 1999.

Em uma das passagens de destaque da peça judicial, o FBI diz que Hawilla concordou em pagar à CBF para que o Brasil usasse “seus melhores jogadores” na Copa América entre 2001 e 2011. As contas para depósito do dinheiro eram desconhecidas pelo dono da Traffic e não eram da CBF.

Até 20 anos de cadeia
Se condenados pela Justiça americana, Teixeira, Marin e Del Nero podem pegar até 20 anos de prisão. Os três são acusados de formação de quadrilha, fraude eletrônica e conspiração para fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e conspiração para lavagem de dinheiro, além de obstrução de justiça. Eles ainda serão obrigados a devolver dinheiro do esquema e pagar multa.

No entanto, Del Nero e Teixeira, a priori, não podem ser extraditados para os EUA, já que são cidadãos brasileiros. Marin já está em prisão domiciliar em Nova York.

Ainda assim, a procuradora-geral de Justiça dos EUA, Loretta Lynch, não descarta que ambos sejam levados presos para lá. “Isso de não termos um acordo de extradição não é assim tão fundamental, existem muitas outras maneiras de trazer alguém para o nosso país”, disse a secretária, que afirmou contar com a colaboração da Justiça brasileira.

Substituto de Del Nero na CBF é deputado da Bancada da Bola
A expectativa era que Fernando Sarney, vice-presidente da Região Norte, assumisse a CBF como assumiu a vaga de Del Nero no Comitê Executivo da Fifa. No entanto, foi o deputado federal Marcus Vicente (PP-ES) o escolhido para ficar à frente da CBF enquanto o agora ex-presidente está licenciado. “Não teremos novas eleições. Vou cumprir o mandato do Marco Polo até o fim (dezembro de 2019)”, disse o novo presidente ao globoesporte.com.

Del Nero teria se licenciado, ao invés de renunciar, para evitar que o catarinense Delfim Peixoto, seu desafeto e vice-presidente da Região Sul, assumisse o cargo, já que é o mais velho entre os vices, critério estabelecido no regimento da CBF.

Marcus Vicente, 61 anos, comandou a Federação Capixaba de Futebol entre 1994 e 2015 e é membro da chamada Bancada da Bola, grupo que defende os interesses da CBF no Congresso Nacional.

Por: Correio

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