Home / Cultura / Com ajustes, Flica reduz um dia e extingue programação musical

Com ajustes, Flica reduz um dia e extingue programação musical

Com um pequeno ajuste aqui e ali por causa da crise econômica, a Flica – Festa Literária Internacional de Cachoeira, que acontece entre os dias 13 e 16, conseguiu manter em sua programação a presença de autores nacionais e internacionais relevantes.

O evento, que é uma realização da iContent e da Cali – Cachoeira Literária, terá a presença de autores como Mary Del Priore, Ana Maria Machado, Milton Hatoum e o colombiano Juan Gabriel Vásquez, primeiro escritor latino-americano a participar do evento.

Emmanuel Mirdad, curador e coordenador geral da Flica, explica algumas mudanças: “Nós realmente tivemos que fazer algumas adaptações devido à crise, afinal houve um retrocesso econômico de praticamente dez anos. Agora, temos duas mesas a menos que em anos anteriores e um dia a menos, mas o mais importante é que mantivemos a qualidade na grade”.

Mirdad ressalta uma novidade: “Pela primeira vez, vamos ter mesas dedicadas especificamente a um livro e com a participação de seu autor, como é o caso de Mary Del Priore, que vem falar sobre Histórias da Gente Brasileira, o título mais recente dela”. A historiadora  abre essa sexta edição da Flica às 15h, na quinta, dia 13, no Claustro do Convento do Carmo.

Em seguida, às 19h, o centenário de Zélia Gattai (1916-2008) será lembrado no debate entre a pesquisadora Jailma Pedreira, especialista em literatura feminina, e Maria João Amado, neta de Zélia e Jorge Amado (1912-2001).

Outra novidade é a inclusão de um segundo evento dentro da Flica, o Caruru dos Sete Poetas, que tradicionalmente ocorre em Cachoeira e que neste ano encerra a festa literária, no domingo, às 10h. Mas os poetas avisam: “caruru”  é só no nome, porque o prato mesmo já foi oferecido pelos poetas no mês passado.

“Sempre quisemos trazer um outro evento literário para a Flica e escolhemos o Caruru dos Sete Poetas, que acontece naquela região. Eles vão apresentar um recital e um poeta vai conduzir o encontro”, diz Mirdad. Os poetas homenageados no Caruru são Bárbara Uila, Camillo César Alvarenga, Deisiane Barbosa, Ebomi Cici, Fábio Haendel, Giselli Oliveira e Herculano Neto.

A programação musical foi retirada da Flica, mas, segundo Mirdad, o motivo não é a crise: “A música estava começando a tomar o espaço da literatura e estava descaracterizando a Flica. Mas, este ano, haverá intervenções artísticas na rua, com teatro, dança e outras expressões artísticas”.

Negritude
O colombiano Juan Gabriel Vásquez é autor de livros como Os Informantes e As Reputações. No sábado, dia 15, às 10h, ele estará na mesa Histórias de Humor Sutil, Micromundos Familiares e Fratura Generalizada. Com ele, estará o paulista Antonio Prata, colunista da Folha de S. Paulo.

A presença de autores negros, como em outras edições da Flica, volta a ser destaque. Um deles é o antropólogo congolês Kabengele Munanga, que  estará na mesa Entre Cidades Atlânticas, junto com a escritora e antropóloga baiana Goli Guerreiro. “Vamos falar sobre a presença negra no mundo atlântico e sobre como são as cidades formadas por grandes comunidades negras, que contribuíram para a produção cultural dessas regiões”, adianta  Goli.

A antropóloga estreou recentemente como romancista com o livro Alzira Está Morta, um dos premiados no Edital do Selo João Ubaldo Ribeiro, lançado pela Fundação Gregório de Mattos. “Vou falar também sobre o romance, que conta a história de uma mulher que vive em Salvador e se muda para a Nigéria, em 1930. Lá, ela descobre elementos culturais como a tecelagem e os sistemas de escritas desenvolvidos na África”, diz Goli.

A antropóloga destaca a importância da Flica: “Festas literárias são uma fagulha e despertam um profundo interesse pela leitura, além de serem um ambiente favorável à troca de ideias e ao encontro de autores. Além disso, a Bahia tem uma forte tradição literária e isso precisa ser alimentado”.Outra autora baiana que estará na Flica é Scarlet Rose, também estreante em romances. Ela lançou este ano o livro Finlândia, exemplar da literatura fantástica, gênero que ganhou popularidade nos últimos anos. Fã de autores como Anne Rice e H.P. Lovecraft (1890-1937), Scarlet escolheu o país nórdico para ambientar a história de uma jovem bibliotecária que vive com seu gato, o enigmático e metamorfo Senhor Sombra.

Scarlet compõe a mesa Do Éden à Finlândia, junto com o carioca Eduardo Spohr, criador da série Filhos do Éden. “Fiquei em choque quando recebi o convite para participar com ele, que tem um trabalho muito bom e é consagrado, mas eu sou iniciante”, afirma  Scarlet, 37 anos.

Spohr fala sobre o crescimento da fantasia no mercado literário no Brasil: “Antes, não havia muito acesso a essa produção no Brasil. A literatura de fantasia tem crescido muito no Brasil. Até a ficção cietífica tem sido bastante publicada aqui. A literatura popular tem encontrado mais espaço”.

Por: Correio

 

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios *

*

onze + vinte =