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Agosto marca reaproximação entre Governo e servidores públicos da Bahia, avalia dirigente sindical

Marinalva Nunes aponta avanços recentes nas negociações e defende diálogo contínuo para corrigir distorções históricas

Com avanços recentes nas negociações e retomada do diálogo entre Governo do Estado e categorias do funcionalismo, o mês de agosto chega carregado de expectativas para os servidores públicos baianos. A análise é da professora aposentada Marialva Nunes, presidente da Associação Classista de Educação e Esporte da Bahia (ACEB), 2ª vice-presidente da Associação dos Funcionários Públicos do Estado da Bahia (AFPEB) e Diretora de Mobilização da Federação dos Trabalhadores Públicos do Estado da Bahia (Fetrab), que vê no atual cenário uma oportunidade concreta de reconstrução de pontes históricas.

“Depois de um longo período de distanciamento, temos percebido sinais de reaproximação do Governo com os servidores”, afirma Marinalva. Entre os indicativos dessa mudança de postura, ela cita o cumprimento de pautas reivindicadas pela Fetrab, como o reajuste do auxílio-alimentação — congelado há anos — e a garantia de que o vencimento básico nunca seja inferior ao salário mínimo, medida resgatada em setembro de 2024, que deve voltar à pauta este mês. A manutenção das mesas setoriais de negociação também é apontada como fundamental para o avanço coletivo.

“Ao manter as mesas, o Governo reconhece um espaço legítimo de construção de soluções. E quando há diálogo, há caminhos possíveis”, observa a sindicalista. Segundo ela, setores como a segurança pública, saúde, universidades estaduais e educação básica têm conseguido, aos poucos, avançar em pautas antes paralisadas. “No entanto, ainda há exclusões que precisam ser enfrentadas com urgência, como a dos professores e professoras aposentadas, que seguem sem receber os mesmos direitos garantidos aos profissionais da ativa, uma violação clara ao princípio da isonomia”, critica.

Com o retorno do recesso legislativo, há expectativa de que novas categorias sejam contempladas. A dirigente também cobra atenção para segmentos com menor poder de mobilização. “São trabalhadores igualmente impactados por perdas salariais acumuladas, mas que muitas vezes ficam à margem das decisões”, aponta.

Outro tema que deve avançar nos próximos dias é a regulamentação do pagamento dos precatórios do Fundef aos professores da educação básica. Para Marinalva, “essa é uma reparação histórica, que valoriza o passado e dignifica o presente”.

Marinalva também considera promissora a criação do Grupo de Trabalho sobre o Planserv, voltado à sustentabilidade e melhoria da assistência à saúde dos servidores estaduais. “Precisamos unir forças para garantir o equilíbrio financeiro e a qualidade do atendimento prestado aos beneficiários”, explica.

Para Marinalva, agosto pode representar um novo marco na política de valorização do funcionalismo. “É hora de tirar do papel clamores antigos, como a mudança da data-base de janeiro para maio. O momento exige coragem para reparar distorções históricas com diálogo e justiça”.

Ao final, ela reforça que os servidores seguem mobilizados. “Queremos reajustes justos, melhores condições de trabalho e reconhecimento real de quem serve à Bahia todos os dias. Que essa nova fase seja guiada pela escuta e pelo compromisso público”, conclui.

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