Especial 124 anos de Cruz das Almas: as filarmônicas
Cruz das Almas possui uma abrangente cultura, especialmente quando é levado em conta o lado musical. No município existem duas filarmônicas: a Lira Gurany e a Euterpe Cruzalmense, que se apresentam em desfiles cívicos, sessões solenes, festivais, missas, no São João e também no Natal.

A filarmônica centenária Euterpe, fundada em 08 de setembro de 1910 por Silvestre Mendes (músico e alfaiate) e amigos, localizada na rua J.B. da Fonseca, foi a primeira entidade constituída na cidade de Cruz das Almas, e é reconhecida de Utilidade Pública Municipal e Estadual. Atualmente possui cerca de 65 componentes.
Eliel Batista Lopes, que está na sociedade desde 1979, atualmente professor e encarregado nas apresentações, relata que a filarmônica sempre teve como objetivo principal o ensino da arte musical aos jovens Cruzalmenses e das cidades circunvizinhas, de forma gratuita, sendo um importante polo de inclusão social através da música, dando aos seus alunos senso de responsabilidade, visando um futuro promissor.
Dos eventos que a Euterpe já participou na cidade de Cruz das Almas Eliel fala de dois momentos importantes para a filarmônica, um bastante desafiador, quando o então prefeito Orlandinho em sua primeira gestão convidou para fazer a abertura do São João, com músicas exclusivas de forró, o que deu muita visibilidade para a Euterpe Cruzalmense. Além da grande inauguração da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), na qual a cidade ganhava uma universidade própria, com a presença do então presidente Luís Inácio Lula da Silva.
Atualmente, com a Regência do professor Erasmo Elias de Jesus, 76 anos, que iniciou seu lado musical desde muito novo, ele descreveu algumas histórias vivenciadas, problemas enfrentados e eventos marcantes da Euterpe, como em 1962 quanto tocaram na posse do Jorge Guerra, eleito para prefeito da cidade. Já em meados de 1963, quando o clube de Cruz das Almas era a Euterpe, onde se reuniam várias pessoas para o famoso baile de carnaval, dia de domingo.
Seu Erasmo ressaltou também os problemas que a filarmônica enfrentou durante os anos para se manter ativa, como instrumentos velhos e sem conserto. “Se não tiver amor, trabalhar só por dinheiro, acaba.”
“Porque quando a gente conta uma história que a gente viveu, ela é real, a gente sente os problemas.”
Lira Guarany
A Sociedade Filarmônica Lira Guarany foi fundada em 15 de novembro de 1922 por Cizino de Oliveira Cintra, juntamente com outros dissidentes da Euterpe. Começaram com apenas cinco instrumentos: piston, contra-baixo, clarinete, trombone e pratos.
A filarmônica completará 99 anos e teve seu nome inspirado na música “O Guarany”, de Carlos Gomes, segundo o atual presidente Francisco Mota Barbosa Filho. O grupo sempre teve como finalidade preparar jovens para o exercício da musicalidade e toda vida útil da cultura que o município provém.
Francisco conta que o segmento filarmônico era muito utilizado naquela época, de forma mais ativa, se apresentavam em todos os eventos da cidade. O presidente ainda lembra que momentos importantes, como as disputas das filarmônicas e até apresentações em cortejos fúnebres, com partituras de músicas preparadas especialmente para estes eventos.
Diante da pandemia, a Lira Guarany ficou um ano parada, retornando seus ensaios no último domingo, 18. Segundo o presidente, a filarmônica já possui apresentações marcadas para o aniversário da cidade, no dia 29 de julho, com hasteamento da bandeira, passeata com o prefeito e sua comitiva até a Igreja Matriz e, logo depois, caminhada até a Câmara de Vereadores onde haverá a sessão solene.
Por Anaize Rodrigues













