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ENTREVISTA – Jonival Lucas reclama de queda na arrecadação e fala sobre 2014

Um dos poucos prefeitos eleitos no Recôncavo com a ajuda do seu antecessor, Jonival Lucas (PTB) chegou à Prefeitura de Sapeaçu com 5.102 votos, ou 46,41% dos votos válidos. Ele nasceu na cidade e leva à cadeira do maior cargo do executivo experiência na vida política como deputado federal. Atual presidente estadual do PTB, o gestor falou com exclusividade ao Bahia Recôncavo sobre administração, diminuição das receitas para os municípios, seca, sucessão estadual, expectativas do partido para 2014 e os preparativos para o São João. A cidade governada por ele completou 60 anos de emancipação política no último dia 27 de abril e a administração promoveu dois dias de festa com bandas e oferecimento de serviços públicos à população.

Bahia Recôncavo – Ao contrário de alguns gestores, o senhor foi eleito com o apoio do seu antecessor. Em pouco mais de 120 dias de governo, qual é a maior dificuldade identificada pela sua administração até o momento?

Jonival Lucas – Recebi o município sem dívidas. Sem nenhum problema e com sua vida em andamento. Tive, inclusive, a oportunidade de antes mesmo de assumir de participar de algumas questões da parte administrativa. Mas a maior dificuldade hoje é a falta de recursos dos municípios. Não é uma questão única de Sapeaçu, mas principalmente daqueles que, como nós, dependem dos repasses do governo federal para que possamos gerir o município.

As obras que o município pode realizar são essenciais ao dia a dia: manter limpeza, educação e saúde. A maior dificuldade hoje encontrada por todos os prefeitos é manter a oferta de serviços públicos com os recursos que são repassados pelo governo federal. Estamos apertando de tudo quanto é jeito para ter o controle da máquina e poder cumprir os compromissos.

Bahia Recôncavo – O senhor sabe quantificar a queda na receita nos últimos meses em Sapeaçu?

Jonival Lucas – Não há um estudo só do município. O próprio governo do estado sentiu isso na pele porque o FPE (Fundo de Participação dos Estados) e o FPM (Fundo de Participação dos Municípios) são compostos de impostos federais. E essa queda chega a 40%. E quando juntamos os repasses da Educação e da Saúde, que são verbas carimbadas, eu tenho a impressão que esse déficit pode até aumentar.

O arrocho nos municípios é muito grande e esses repasses involuntários, como FPM, Fundeb e todos os outros que compõem a arrecadação do município, são transformados em outros benefícios pelo governo federal. Eles chamam de benefício contra a seca ou de outros programas sociais. É claro que beneficiam o município, mas tiram dos gestores a possibilidade de trabalhar com esses recursos.

Quando a arrecadação cai nós temos que cortar serviços. Enquanto isso o governo federal sai com crédito de realizar benefícios à população, mas na verdade essa política acaba prejudicando.

Bahia Recôncavo – Qual será a estratégia adotada pela sua administração para atrair investimentos e obras de infraestrutura mesmo com a queda da arrecadação?

Jonival Lucas – Brigar muito com o governo do estado e o governo federal para atrair recursos e realizar obras fundamentais. Sobre a atração de investimentos, trabalhamos para modificar a legislação e tentar possuir um ISS (Imposto Sobre Serviços) mais atrativo, ter capacidade de negociar com empresas para a Prefeitura compor a infraestrutura, o que ajudará para que elas possam se instalar aqui.

Medidas como essa geram impostos aos cofres municipais e emprego para os moradores. Mas confesso que minha preocupação principal não é gerar impostos, mas empregos.

O crescimento de Cruz das Almas e Santo Antônio de Jesus com o comércio, o polo educacional e serviços enfraqueceu os municípios satélites. E nós sentimos isso. Nosso comércio e economia acabaram enfraquecidos.

Nós precisamos criar algo que proteja os pequenos municípios da região. Nosso comércio vive de pequenas compras. Quando o cliente pretende realizar compras maiores, acaba indo a Cruz das Almas, por exemplo.

Bahia Recôncavo – O senhor acha que, caso a seca aperte, Sapeaçu precisará decretar Estado de Emrgência, assim como fizeram Governador Mangabeira, Cabaceiras do Paraguaçu e Maragojipe?

Jonival Lucas – Nós decretamos em âmbito municipal. Criamos o Conselho de Defesa Civil e, se houver necessidade, entraremos com o pedido sim. Mas esperamos que não seja necessário. Agora começou uma chuva em nossa região.

Os prejuízos foram com os pequenos agricultores e Sapeaçu vai sentir esses efeitos em dois ou três meses. Mas a Prefeitura está investindo com máquinas para que eles possam preparar suas terras. Estamos procurando, dentro da nossa capacidade de investimento, oferecer o apoio necessário para que o pequeno agricultor possa diminuir ao máximo seus prejuízos em função deste período longo de estiagem.

Bahia Recôncavo – O PTB pretende lançar um nome para ser discutido na chapa majoritária da base do governador Jaques Wagner?

Jonival Lucas – Não! Nossa prentensão nesse momento é nacional. A estretégia é investir nas candidaturas de deputado estadual e deputado federal. O partido trabalha nesse sentido para preparar nomes para essas candidaturas. Entendemos que o partido precisa se fortalecer antes de qualquer tipo de posição.

Estamos inclusive buscando o apoio do governo do estado para que ocorra um eventual crescimento do PTB como bancada estadual e bancada federal. Acho que assim poderemos em 2016 fazer um número maior de prefeitos e vereadores.

Bahia Recôncavo – Aqui no Recôncavo o PTB já trabalha com alguns nomes para candidaturas a deputado estadual e federal?

Jonival Lucas – Não. Aqui para deputado federal e estadual não. Nós temos o deputado federal Antônio Brito, que a família é de Muritiba, e tem compromisso com alguns municípios da região, temos o nome de Benito Gama, que hoje nacionalmente representa o PTB, e a possibilidade de outros [nomes] surgirem. Não há a determinação regionalizada para cada candidato sair em um lugar.

Bahia Recôncavo – Sapeaçu fica entre duas cidades que gastam muito com São João: Cruz das Almas e Santo Antônio de Jesus. Como será a festa junina na cidade em 2013?

Jonival Lucas – Nós vamos ter um São João meio maluco. Nós começamos a pensar a festa em janeiro. Ela é tradicional em nosso município. Esperamos fazer uma festa que tenha equilíbrio. Não poderemos concorrer com Santo Antônio de Jesus, mas creio que nossa grade estará bem parecida com Cruz das Almas.

Faremos quatro dias de festa e Filhos de Jorge deve puxar o tradicional arrastão do último dia. Ainda teremos na programação bandas de Cruz das Almas e de nível nacional.

Nós temos um diferencial na região: somos a cidade que tem uma praça de evento 100% coberta. No período de chuva poderemos atender bem e com qualidade de som e iluminação. Não deixaremos nada a desejar.

Reportagem e foto: Maurício Medeiros

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