
Neste sábado, 20, é comemorado o Dia da Consciência Negra. A data é celebrada em todo o Brasil e lembra as diferenças étnicas e o racismo estrutural do país. Em Cruz das Almas, a Lei Nº 080/09 tornou a data um feriado municipal, já que a cidade tem fortes laços históricos com a cultura negra. Na política não é diferente, 80% dos vereadores se declaram como negros (pretos e pardos) e 20% como brancos. Porém, o número de parlamentares que se consideram pretos cai para a metade (40%). Os dados são da Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ainda conforme o site, em números, 6 vereadores se declaram pretos (Carlos Trindades-PP; Osvaldo da Paz-PT; Pablo Rezende-PT; Ricardo Pinheiro-PP; Roberto Ximba-PP e Thiago Chagas-PSD), outros 6 se declaram pardos (Barriga da Oficina-Republicanos; Nego da Farmácia-DEM; Maria Cedraz-MDB; Nadia Moura-Republicanos; Paulinho Policial-PSD e Raimundo de Gino-DEM) e 3 brancos (Camila Moura-MDB; Pedro Melo-PT e Renan de Romualdo-Republicanos).
Autodeclaração e racismo
O censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) considera 5 opções para a autodeclaração das pessoas sobre a sua cor ou raça (branca, preta, parda, indígena ou amarela). De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2019, 42,7% dos brasileiros se declararam como brancos, 46,8% como pardos, 9,4% como pretos e 1,1% como amarelos ou indígenas.
Por outro lado, movimentos sociais negros pedem que as pessoas se autodeclarem pretas e desconsiderem a opção “parda” porque guarda a ideia do negro mais claro, uma gradação que não é usada para brancos, amarelos e indígenas.
Exposição reflete sobre uso do termo ‘pardo’ para definir cor de pele e raça
Mais brasileiros se declaram negros e pardos e reduzem número de brancos
Preto ou negro? Qual a relação dos termos com a história do Brasil
Para Katia Regis, coordenadora da primeira licenciatura do Brasil de estudos africanos e afro-brasileiros, em entrevista à BBC Brasil, o crescimento da população que se autodeclara negra é reflexo dos anos de luta do movimento negro e também do acesso à educação. Conhecendo sua história, os negros assumem o orgulho da sua cor.
“A população negra que tem mais acesso ao conhecimento efetivo da história africana e afro-brasileira passa a se ver mais positivamente como negra”, diz.
Partidos políticos e autodeclaração
Todos os edis que se consideram negros de pele preta são da oposição e de partidos políticos ligados historicamente às discussões de questões étnicas e de minorias (PT, PSD, PP). Já os que se autodeclararam pardos são, em maioria, da bancada de situação (DEM, Republicanos e MDB) que, historicamente, não tem ênfase em pautas voltadas às questões étnicas.




















