
O mercado imobiliário do Rio de Janeiro faturou R$ 6,3 bilhões no primeiro trimestre de 2022, em meio a um cenário econômico desafiador. Seis bairros da cidade contaram com crescimento de vendas; Flamengo (38%) e Glória (32%) tiveram o melhor desempenho.
As informações são do levantamento feito pela HomeHub com base em dados oficiais de arrecadação de Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) da prefeitura. O mercado de luxo também segue em alta.
Dos apartamentos à venda no Rio de Janeiro nos primeiros meses do ano, foram comercializados 8.841 imóveis. No levantamento, foram analisados 27 bairros que, em conjunto, representam 84% do Valor Geral de Vendas (VGV) da cidade. Além do Flamengo e da Glória, Botafogo e Itanhangá registram alta de 19% e 15% nas vendas, respectivamente.
Já Meier e Tijuca, na Zona Norte, foram os que menos cresceram em números de vendas, com 6% e 4%. Na avaliação, São Conrado e Lagoa tiveram recuo de 37% e 35%.
Vendas na Zona Sul
A área mais valorizada da cidade é a Zona Sul. Na região, Copacabana, Leme, Leblon, Ipanema, Botafogo, Flamengo, Catete, Glória, Lagoa, Gávea, Humaitá, Jardim Botânico, Laranjeiras, Santa Teresa, São Conrado e Urca foram os 16 bairros analisados juntamente ao potencial de vendas de cada um.
Nessa região foram vendidas 1.947 unidades, com um VGV estimado em R$ 2,5 bilhões. Os dados mostram que a média móvel de vendas na Zona Sul em 12 meses (de maio de 2021 a maio de 2022) permanece em nível elevado, com cerca de 800 vendas por mês. Contudo, quando comparada à média móvel dos três primeiros meses de cada ano, houve uma queda de 682 para 649 vendas mensais.
Canais especializados no tema atribuem a queda à alta dos juros e à proximidade das eleições. Além disso, as instabilidades da pandemia também contribuíram para os altos e baixos do setor imobiliário. A previsão, todavia, é que os clientes retomem à decisão de compra conforme os riscos sejam percebidos como baixos.
Cenário imobiliário no Rio de Janeiro
Em relatório, o Sindicato da Habitação do Rio de Janeiro (Secovi Rio) analisou o cenário imobiliário residencial com dados de maio de 2021 a maio de 2022. A pesquisa traz indicadores do valor do metro quadrado ofertado para venda e para locação na cidade e em suas regiões.
Venda residencial
O preço geral do metro quadrado residencial para venda no Rio em maio de 2022 foi de R$ 9.119. Comparando com o mês anterior (abril de 2022), registrou-se uma variação de -0,89%.
De acordo com o relatório, a região da cidade que apresentou a maior variação em relação ao mês de abril ocorreu na Zona Central, com 1,13%; já a menor variação foi na Zona Oeste, com -1,01%.
Locação Residencial
Em maio de 2022, o preço geral do metro quadrado residencial para locação no Rio de Janeiro foi de R$ 29,93. Em relação ao mês anterior de abril, houve uma variação de -1,42%.
A análise das regiões da cidade mostrou que a maior variação em relação ao último mês foi apresentada na Zona Oeste, com 7,38%. Já a menor variação foi registrada na Zona Central, com -4,15%.
Rentabilidade dos imóveis residenciais
Conforme o estudo, a região que apresentou a maior rentabilidade — cálculo feito a partir da divisão do valor do metro quadrado de locação pelo preço do metro quadrado de venda — foi a Zona Oeste, com 0,466%. Já a Zona Sul contou com a menor rentabilidade, com 0,328%.
Mercado de luxo segue em alta
O desempenho do segmento de luxo é pouco afetado por desafios como a conjuntura econômica de juros altos, o aumento da inflação ou a proximidade das eleições presidenciais. Isso porque o poder aquisitivo do grupo de clientes-alvo do mercado de alto padrão se mantém diante dessas adversidades.
Em 2021, o setor imobiliário de luxo apresentou um crescimento histórico de 226% em lançamentos quando comparado a 2020, segundo o resultado anual do Indicador Abrainc/Fipe. A avaliação de analistas e empresários da área é de que, embora com um ritmo menos acelerado, o segmento vai se manter em alta em 2022.
Em entrevista à imprensa, o presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) Luiz França avalia que as expectativas de aquisição e lançamentos de terrenos, verificadas pelo Indicador de Confiança do setor imobiliário residencial, revelam o fortalecimento do setor.
A aposta do especialista é que, mesmo com a cautela exigida pelo momento econômico, as construtoras não reduzam o ritmo de negócios. Na sua visão, o mercado pode trazer mais oportunidades e deve ser aquecido devido à possibilidade de aumento nos preços dos imóveis. De maneira geral, os preços aplicados no metro quadrado no Brasil estão abaixo dos praticados no mercado internacional.
O consenso dos analistas é que a demanda por imóveis de luxo no Rio de Janeiro continue estável — impulsionada também pelo desejo de conforto, espaço e praticidade provocados pela pandemia e pelo isolamento social. Esses aspectos propulsionam a incorporação imobiliária de alta renda num ritmo elevado.





