O prefeito de Muritiba, Roque Isquem (PDT), concedeu entrevista exclusiva à reportagem do site Bahia Recôncavo nesta sexta-feira (25) à noite, durante a abertura da Festa do Bonfim. Ele falou da dificuldade em organizar um evento de 11 dias com pouco tempo à frente do mandato, sobre a dificuldade de recursos nas prefeituras, eleição na UPB e da vontade do presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Nilo (PDT), conseguir a indicação do governador Jaques Wagner (PT) na disputa à sucessão do Palácio de Ondina em 2014.
Bahia Recôncavo – Qual é a dificuldade de realizar um evento da grandiosidade da Festa do Bonfim, com 11 dias de shows, menos de trinta dias depois de receber a Prefeitura de Muritiba?
Roque Isquem – Os recursos são poucos. Principalmente no início de governo. Ainda mais um governo que não teve transição. As dificuldades são grandes porque nós não encontramos da gestão que nos antecedeu as coisas encaminhadas. Com isso fomos obrigados a recomeçar uma coisa que começamos no passado. Mas, com um pouco de criatividade e paciência, boas negociações, conseguimos uma boa grade de atrações. Tenho certeza que teremos uma grande festa e, acima de tudo, vamos resgatar a tradição do nosso município.
Bahia Recôncavo – Quais são as novidades da Festa do Bonfim de Muritiba que o senhor destaca esse ano?
Roque Isquem – Temos um espaço de lazer para que os pais possam vir com seus filhos e essa integração das famílias se torne cada dia maior. As festividades não podem ser marcadas pela violência, como vemos em alguns momentos. Nós criamos o dia específico da criança (ocorre na segunda-feira), onde os pais podem vir e ficar num ambiente seguro.
Bahia Recôncavo – Em função da crise econômica, o governo federal precisou reduzir o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) dos carros e da linha branca. Essa medida reduziu o repasse do FPM (Fundo de Participação dos Municípios). Como está a capacidade de investimento de Muritiba em função dessa diminuição nos recursos disponíveis?
Roque Isquem – Não é boa, principalmente porque estamos enfrentando uma dificuldade junto aos servidores supostamente concursados. Fizeram um concurso em 2010 (na gestão do antecessor Babão) e parte desses concursados, uma parte pequena, mas que já foi questionada juridicamente, foi colocada de maneira indevida. Nós estamos enfrentando essa dificuldade porque Muritiba durante quatro anos da gestão que nos antecedeu teve suas contas questionadas pelo Tribunal (de Contas dos Municípios) em função de ficar acima do que recomenda a lei com os gastos com servidores. Em 2011 o gestor teve suas contas rejeitadas por ultrapassar o limite legal. E mesmo com a redução dos recursos, o antecessor colocou muitos servidores e engessou o município. Estamos muito presos.
Caso não tenhamos uma mudança nos repasses do FPM, vamos ter dificuldade. E esse problema não é só de Muritiba. Os municípios brasileiros perderam mais de R$ 132 milhões para o governo federal. Caso não tenha mudança no repasse dos recursos, nós vamos continuar perdendo e a comunidade vai pagar o preço.
Outra coisa que devemos lembrar é que nós recebemos os programas do governo federal e eles são todos sub-financiados. O governo federal coloca um PSF (Posto de Saúde da Família), que custa mais de R$ 25 mil por mês, e manda apenas R$ 6 mil para pagar tudo. Estamos sobrecarregados.
Bahia Recôncavo – O senhor participou da eleição da UPB (União dos Municípios da Bahia)? E o senhor votou em quem?
Roque Isquem – Votei em Maria Quitéria (prefeita de Cardeal da Silva e que ganhou a eleição para Wilson Cardoso). Até porque tenho muito respeito ao trabalho que fez Luiz Caetano (ex-presidente da UPB em 2011 e 2012). Ele fortaleceu a instituição. A prova é que a eleição foi concorrida. Eu entendi que era necessário dá continuidade ao trabalho que vinha acontecendo na UPB.
Bahia Recôncavo – Faltam dois anos para a eleição de governador. Mas as movimentações na base governista já começaram. O presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Nilo (PDT), tem deixado bem claro, desde a Lavagem do Bonfim, que pretende lutar pela indicação. Como seu partido pretende trabalhar esse assunto?
Roque Isquem – É natural a postulação. Nós temos que entrar nesta campanha também. Afinal de contas, não estamos propondo um racha, mas uma discussão democrática em torno do melhor nome para a continuidade do projeto. Um político que comandará a Assembleia Legislativa pelo quarto mandato, e que tem se mostrado muito leal ao governador, tem condições de tentar ser o candidato.
Nada mais justo que, neste momento, em que muitos nomes são colocados à disposição, o PDT, que tem sido um partido leal, apresente também seu candidato.
O certo é que nós temos a convicção de não brigar e rachar. Queremos caminhar com essa proposta. Mas estamos dizendo ao governador e aos demais partidos que estamos preparados também para postular o cargo. Isso é muito natural e salutar para a democracia.





