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Entrosamento e parceria musical marcam apresentação do Trio Sitkovetsky no TCA

Unidos pela confiança e pela escuta mútua, Qian Wu, Alexander Sitkovetsky e Isang Enders levam ao palco do TCA, no dia 3 de novembro, interpretações de Beethoven, Schumann e Dvořák.

Com presença harmônica e rítmica, o piano desempenha diferentes funções no Trio Sitkovetsky, alternando entre a condução melódica e o diálogo com os demais instrumentos. Essa interação ganha forma em uma combinação de timbres que reúne um moderno piano Steinway, um violino Antonio Stradivari e um violoncelo Carlo Tononi, ambos com mais de 300 anos. O equilíbrio entre esses sons dá identidade ao conjunto, que se apresenta em Salvador no dia 3 de novembro (terça-feira), às 20h, na Sala Principal do Teatro Castro Alves (TCA). A abertura da sala será às 19h, e os ingressos estão à venda pelo Sympla.

Um dos mais destacados trios com piano da atualidade, o Trio Sitkovetsky é reconhecido internacionalmente pela qualidade de suas interpretações e pela sintonia entre seus integrantes, a pianista chinesa Qian Wu, o violinista Alexander Sitkovetsky e o violoncelista Isang Enders. O conjunto chega a Salvador com um repertório que reúne obras de Beethoven, Schumann e Dvořák, três compositores fundamentais para a história da música erudita.

Nascida em Xangai, na China, Qian Wu construiu uma trajetória de destaque na música clássica. Iniciou os estudos de piano aos seis anos e estudou no Conservatório de Música de Xangai, na Yehudi Menuhin School, na Inglaterra, e na Royal Academy of Music, em Londres. Reconhecida internacionalmente por sua atuação, foi escolhida pelo jornal britânico The Independent como uma das jovens estrelas da música clássica em 2007 e recebeu, em 2016, o Lincoln Center Emerging Artist Award, em Nova York.

Equilíbrio entre os sons – Para Qian Wu, piano, violino e violoncelo assumem funções diferentes ao longo da apresentação, alternando entre momentos de condução melódica, acompanhamento e diálogo. O desafio está em equilibrar os sons e permitir que as três vozes se complementem. “Às vezes, meu papel é ser a base sobre a qual todos se apoiam, com a harmonia, o ritmo e a cor por baixo de tudo. Em outros momentos, sou eu quem está com a melodia, enquanto as cordas me sustentam. E, nos momentos mais bonitos, ninguém está acompanhando ninguém. Estamos simplesmente respirando juntos”, afirma.

Essa sintonia musical também se reflete na relação entre os integrantes do Trio Sitkovetsky, construída ao longo de anos de convivência, dentro e fora dos palcos. Qian Wu é casada com o violinista Alexander Sitkovetsky, que conheceu ainda na adolescência, quando ambos estudavam na Yehudi Menuhin School, na Inglaterra. Desde a criação do trio, por volta de 2007, os músicos aprofundaram a parceria e passaram a ter maior liberdade para tomar decisões durante os concertos, apoiados na escuta e na confiança mútua. “Hoje, nos conhecemos tão bem que podemos deixar muito mais coisas em aberto para serem decididas durante o próprio concerto”, afirma a pianista.

Além do violino — A parceria construída ao longo dos anos no Trio Sitkovetsky também passa pelas trajetórias individuais de seus integrantes. Nascido em Moscou, na Rússia, Alexander Sitkovetsky cresceu em um ambiente musical. Sua mãe é pianista, seu pai era guitarrista e compositor, e seu tio, Dmitry Sitkovetsky, também é violinista. Aos oito anos, estreou como solista e ingressou na Yehudi Menuhin School, na Inglaterra. Mais tarde, estudou na Royal Academy of Music, em Londres, e na Kronberg Academy, na Alemanha. Reconhecido internacionalmente como solista e músico de câmara, recebeu o Lincoln Center Emerging Artist Award, em 2016, e também desenvolve carreira como regente.

Um dos fundadores do Trio Sitkovetsky, o violinista também destaca a importância do diálogo e da troca de ideias na construção musical do grupo. Para ele, as diferentes perspectivas dos integrantes contribuem para o amadurecimento das interpretações e ajudam os músicos a encontrar, juntos, a abordagem que melhor serve a cada obra. “É claro que, quando estamos trabalhando, podem surgir divergências. E elas são muito saudáveis, porque podemos questionar as ideias uns dos outros para tentar encontrar a interpretação mais convincente. No fim, nós três fazemos o melhor que podemos para servir à música e à arte da interpretação”, afirma.

Ao longo da carreira, Alexander Sitkovetsky mantém uma relação próxima com grandes obras do repertório para trio com piano, de compositores como Beethoven, Tchaikovsky, Mendelssohn, Ravel e Shostakovich. Embora as interpretações se transformem com o tempo e a experiência, o violinista acredita que a essência dessas composições permanece. “É claro que nossas interpretações podem mudar com o tempo, essa é a beleza da música. Mas a força e o significado dessas grandes obras estarão sempre presentes”, afirma.

Voz do violoncelo —Se para Alexander Sitkovetsky, a música de câmara é um espaço de diálogo e descoberta, para Isang Enders ela reúne diferentes experiências musicais. Filho de músicos ligados à música sacra e à ópera, o violoncelista cresceu cercado pela música e escolheu o instrumento aos nove anos, por sugestão de sua professora de piano. Na adolescência, o contato com gravações de Lynn Harrell, que mais tarde se tornaria seu mentor, fortaleceu sua vocação.

Último integrante a ingressar no Trio Sitkovetsky, Enders conta que foi acolhido desde o primeiro ensaio. Com o passar dos anos, a convivência fortaleceu a confiança entre os três e deu espaço para mais espontaneidade nas apresentações. “Agora, depois de vários anos, somos realmente uma família. Viajamos juntos, comemos juntos, discutimos os andamentos juntos. Nossos filhos se conhecem. E, como nos conhecemos tão bem, podemos ser muito sinceros nos ensaios sem que ninguém se sinta magoado. Musicalmente, essa confiança nos dá liberdade. No começo, precisávamos combinar tudo. Agora, podemos deixar muita coisa em aberto e reagir no palco”, afirma Enders.

A experiência com a música de câmara também permitiu a Enders reunir aprendizados de suas atuações como músico de orquestra e solista. Nesse formato, ele encontra um equilíbrio entre a expressão individual e a capacidade de ouvir os outros, rever escolhas e incorporar novas ideias. Essa troca, porém, não se limita aos músicos no palco. “É uma conversa, e o público faz parte dela”, resume o violoncelista, para quem a presença dos ouvintes é parte essencial da experiência musical.

Além de Salvador, Sitkovetsky Trio se apresentará  no Rio de Janeiro (RJ), no dia 2 de novembro de 2026 (segunda-feira), às 19h, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, como parte da Série O Globo / Dellarte Concertos Internacionais, e em São Paulo (SP), no dia 5 de novembro de 2026 (quinta-feira), às 20h, no Grande Auditório da Cultura Artística, integrando a Temporada 2026 (Série Verde) da instituição. 

O espetáculo integra a Programação Artística – Operação Teste do Novo TCA, realizada por meio da Convocatória para Ocupação Artística Gratuita da Sala Principal – Edição Especial Novo TCA. A iniciativa busca garantir apresentações na Sala Principal durante o período de Operação Teste, etapa que integra o processo de retomada após as obras do Novo TCA.

A apresentação é uma realização do Instituto Dell’Arte e da Caderno 2, com apoio do Clube Correio, OSBA, Neojiba, Teatro Castro Alves, Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), Governo do Estado da Bahia e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult).

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