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Mamografia alterada não é sentença: entenda o que acontece depois do susto

Da imagem suspeita ao diagnóstico e acompanhamento, oncologista do HFBCCC explica a importância de cada etapa do tratamento.

No momento quando uma mulher descobre que o exame de mamografia apresentou uma alteração é comum que ela, mesmo antes de conversar com o médico, comece a imaginar o pior. No entanto, uma mamografia alterada não significa, necessariamente, câncer de mama. Embora essa etapa seja pouco explorada pelas campanhas de conscientização, como a do Outubro Rosa, ela ainda envolve novos exames antes da confirmação da doença e encaminhamento a uma unidade de alta complexidade em oncologia.

Para 2026, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima 4.480 novos casos de câncer de mama entre mulheres na Bahia, com taxa bruta de 58,54 casos por 100 mil mulheres. Em Salvador, a estimativa é de 1.340 novos casos este ano, com taxa bruta de 94,41 casos por 100 mil mulheres. Já os dados consolidados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) e divulgados em 2025 mostram ainda que, em 2024, 1.349 mulheres morreram em decorrência do câncer de mama no estado, correspondendo a uma taxa de mortalidade de 17,5 óbitos por 100 mil mulheres. No mesmo ano, o SUS realizou 393 mil mamografias na Bahia, sendo 95,4% delas destinadas ao público-alvo considerado no levantamento, e 14,2% apresentaram resultado classificado como risco elevado.

Drª Lygia Tinoco, oncologista do Hospital Fundação Bahiana de Cardiologia e Combate ao Câncer (HFBCCC), afirma que é justamente esse último número que ajuda a explicar por que a mamografia alterada e o câncer não podem ser tratados como sinônimos. “Se 14,2% dos exames realizados pelo SUS na Bahia em 2024 tiveram resultado de risco elevado, isso não significa que todas essas mulheres tenham recebido diagnóstico de câncer, mas que uma parcela dos exames exigiu uma investigação mais criteriosa. Caso haja o tumor, aí a investigação será em torno da descoberta do tipo histológico, do tamanho da lesão, o comprometimento de linfonodos, os receptores hormonais, o HER2 e outros marcadores para, por fim, se chegar à estratégia a ser adotada”, explica a especialista ao lembrar que, por isso, ocorre de duas mulheres com câncer de mama receberem tratamentos diferentes.

“Nesses casos o tratamento pode envolver cirurgia, quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia ou terapia biológica, conforme o estágio e as características da doença, por isso é importante que a mamografia seja feita ao menos uma vez ao ano, como forma preventiva, conforme a faixa etária ou histórico familiar de cada mulher”, destaca a oncologista do HFBCCC.

Conforme o Plano Estadual de Oncologia da Bahia aponta, entre os fatores relacionados ao diagnóstico tardio do câncer de mama, estão o tempo que o paciente leva entre a primeira consulta após um sinal ou sintoma e o intervalo entre esse atendimento médico e a confirmação da doença. Nesse contexto, Drª Lygia Tinoco lembra que o atendimento humanizado e as novas tecnologias aplicadas na realização dos exames vêm ajudando na mudança desse mapa no estado.

“Então, não tem por que deixar de fazer um exame de rotina capaz de perceber uma alteração por estar longe dos grandes centros urbanos, e acabar descobrindo tardiamente uma doença. Muito menos, diante de uma mamografia alterada, se preocupar se é câncer ou não, mas buscar saber qual o próximo passo, encarar o tratamento de frente, por que, esse sim, ao ser iniciado em tempo hábil, transforma-se em uma oportunidade mais fácil e menos invasiva de cura”, conclui a oncologista do HFBCCC.

Sobre o HFBCCC

A Fundação Bahiana de Cardiologia e Combate ao Câncer é uma instituição sem fins lucrativos, dedicada à assistência, inovação, ensino e pesquisa em saúde. Criada em 1990 para apoiar a Unidade de Cardiologia e Cirurgia Cardiovascular do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (HUPES/UFBA), a Fundação consolidou-se como uma das principais referências em assistência cardiovascular da Bahia, ampliando sua atuação ao longo das últimas décadas para outras especialidades médicas e para a gestão hospitalar de unidades públicas e privadas. Hoje, mantém o Hospital Fundação Bahiana de Cardiologia e Combate ao Câncer (HFBCCC), em Salvador e Lauro de Freitas, além de atuar na administração de outras unidades de saúde, como o Hospital Estadual de Oncologia Alto Sertão – HEOAS (Caetité-BA); o Hospital Ana Mariani (Barra-BA), além do serviço de Hemodinâmica no Hospital de Urgência de Sergipe – HUSE (Aracaju-SE), onde leva atendimento especializado. Reconhecida pela excelência clínica, pelo investimento permanente na formação de profissionais de saúde e pela produção científica, a instituição alia tecnologia, inovação e atendimento humanizado, acumulando certificações de qualidade e reconhecimentos que reforçam seu compromisso com a segurança do paciente, a responsabilidade social e a melhoria contínua da assistência prestada aos baianos.

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