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EXCLUSIVO: Padre Gil fala sobre escolha do novo papa e Campanha da Fraternidade

Torcedor fanático do Bahia, com suvenir do clube em sua mesa de trabalho, Padre Gil André Peixinho Vieira comemora no próximo dia 29 de março cinco anos de ordenamento. Nascido em Capim Grosso, norte da Bahia, o pároco chegou a Cruz das Almas em outubro de 2010 e não demorou a conquistar o coração dos católicos da cidade. Nesta entrevista exclusiva ao site Bahia Recôncavo, o religioso fala das expectativas dele para a escolha do novo papa, comenta sobre assuntos delicados como casamento entre pessoas do mesmo sexo e uso de preservativos, explica a escolha pelo tema juventude na Campanha da Fraternidade e explica a participação da paróquia Nossa Senhora do Bom Sucesso na Jornada Mundial da Juventude que aconetece em julho, no Rio de Janeiro.

Bahia Recôncavo – Como o senhor recebeu a notícia da renúncia do Papa Bento XVI em pleno Carnaval?

Padre Gil – Foi uma grande surpresa. Percebíamos que o governo do papa Bento XVI era consolidado. É uma pessoa, de fato, lúcida. Podemos dizer que ele é o maior teólogo vivo presente desde a história do Conselho Vaticavo II. Então, para nós, foi uma surpresa. Percebendo depois algumas entrevistas, inclusive uma que foi feita em 2006, o papa já mencionova a possibilidade da renúncia, levando em conta a questão do corpo e da saúde.

Bahia Recôncavo – Uma das críticas ao papa Bento XVI é o fato dele ser uma grande teórico e teólogo e teria se fechado dentro da Igreja. Ao contrário do seu antecessor João Paulo II. O senhor concorda com essas críticas?

Padre Gil – Não concordo! Eu acho essas críticas infundadas, visto que é um olhar de fora da Igreja. Quem olha internamente percebe que o papa Bento XVI é uma pessoa muito aberta. Um exemplo é que quando o papa foi eleito ele convocou os bispos e cardeais e tocou em assuntos que o papa João Paulo II não tocava. O tema foi o celibato na Igreja. Foi uma abertura que ele provou pela história, tradição e evangelho que foi uma opção de Jesus e o papa entendeu que o celibato deveria continuar. Porque era uma opção do Cristo, e nós devemos optar por Cristo.

As críticas que fazem ao papa Bento XVI estão muito ligadas ao período em que ele era cardeal da prefeitura da Doutrina da Fé. Ele foi muito visto por causa desse cargo, e as críticas são direcionadas a esse período.

Nós vimos um papa muito mais aberto e de diálogo interno do que com João Paulo II, que era um papa muito mais comunicador na evangelização para o mundo, mas internamente não. Essa críticas são pobres e de quem não conhece os bastidores da Igreja.

Bahia Recôncavo – O jornal Corriere della Serra, da Itália, publicou na semana passada uma série de reportagens com informações sobre uma intensa briga pelo poder nos bastidores da Igreja e que essas disputas teriam influenciado o pedido de renúncia. O senhor acredita nisso ou acha que os problemas de saúde são os verdadeiros motivos do saída de Bento XVI?

Padre Gil – Tudo é especulação. É melhor escutarmos da própria boca dele. Claro que nós podemos dizer que onde existe o humano, existe também as dificuldades. A Igreja Católica é santa e ela também é pecadora. É santa porque foi fundada por Jesus Cristo. Mas é claro que existem pessoas que precisam fazer a conversão dentro da Igreja.

Mas creio que não exista uma pressão contra o papa. Creio que não houve uma disputa pelo poder porque existe respeito com o papa. Estamos vendo o amor do povo e do clero com o papa. Agora, o estigma, aquele que chamamos de preconceito, acontecem porque ele exercia a Doutrina da Fé, que tinha de corrigir os erros equivocados das heresisas que poderiam colocar a interpretação da fé católica em jogo. E ele tinha que ser bem taxativo. É tentar colocar os bastidores do mundo. E a Igreja não age assim.

Bahia Recôncavo – Qual é o perfil que o novo papa deve ter para que a Igreja Católica consiga conter a perda de fiéis para as igreja evangélicas, principalmente as novas pentecostais?

Padre Gil – Para mim o melhor papa tem que ter o segundo coração de Jesus. O papa Bento XVI disse que a Igreja não está preocupada com quantidade, mas com qualidade. O Cristianismo nunca foi um movimento da massa. Ele sempre foi um movimento de poucos.

O que a Igreja está pedindo hoje é um papa onde a preocupação dele seja anunciar o evangelho e que promova no coração de todas as culturas e da sociedade uma conversão. Acho que não teremos um perfil para conter nada. Mas a Igreja percebeu que precisa de um papa que provoque o diálogo com o mundo e a sociedade.

Bahia Recôncavo – Quais são as chances da Igreja escolher um papa não europeu no próximo conclave?

Padre Gil – Todas as chances. Todos os cardeais que estiverem lá, que são os que têm até 80 anos, estão com chance. Todo cardeal pode ser eleito. Não existe candidato. São 175. É possível que saia um papa da África, da da China ou das américas. Mas o que sabemos mesmo é que o papa nomeado será o papa que o mundo precisa. Deus nos dá o que nós precisamos, não o que nós queremos.

Bahia Recôncavo – Como o próximo papa deve debater, tanto dentro da Igreja, quando com a sociedade, assuntos do mundo atual como casamento entre pessoas do mesmo sexo e o uso de métodos contraceptivos, como a camisinha?

Padre Gil – Eu acho que esse temas são debatidos dentro da Igreja, só que a Igreja tem seus dogmas de fé e ela deve defendê-los. Os dogmas não mudam. O conteúdo sempre será o mesmo. Senão vai deixar de ser Cristianismo. O que muda é a metodologia, a forma.

O que que a Igreja teme é não conseguir preparar mais as pessoas para não se venderem à promiscuidade. As pessoas deixaram de se amar. Estão vendendo a virgindade em nome de uma falsa felicidade, por exemplo. É um problema maior. Temos que trazer mais consciência e não podemos fazer da vida o que bem entendermos. Existe um princípio ético natural.

A família está na sagrada escritura. Deus criou o homem e a mulher, mas isso não impede que criemos um diálogo com essas novas uniões. A Igreja tem que criar diálogo e a missão da Igreja é cuidar de todos.

Nós temos pastorais que cuidam dessas pessoas que sofrem preconceito. Nós teremos, com certeza, cada vez mais um papa dialogando com esse universo bem diverso que nós estamos vivendo.

Bahia Recôncavo – A Igreja Católica lançou na última quarta-feira (13) a Campanha da Fraternidade 2013. Qual é objetivo da campanha este ano?

Padre Gil – A Campanha da Fraternidade completa 50 anos. Esse ano trazemos o tema Fraternidade Juventude. O objetivo é a consciência do jovem. São eles as maiores vítimas da violência. Os nosso presídios estão cheios de jovens e adolescentes.

A Igreja está preocupada com o presente do jovem e o futuro do jovem. Nós percebemos que o jovem está ficando descrente de tudo e criando dimensões de individualismo. Queremos propor um caminho. Nós precisamos olhar com mais carinho.

Bahia Recôncavo – Como será a participação da paróquia Nossa Senhora de Bom Sucesso na Jornada Mundial da Juventude?

Padre Gil – Nós vamos ter cerca de 200 jovens franceses que ficarão hospedados aqui. Nós temos uma missão. Enviaremos 40 jovens, aqui da paróquia Nossa Senhora do Bom Sucesso, para o Rio de Janeiro. Será um momento muito bonito. Vamos receber o papa no Rio de Janeiro para entusiamar. Uma das coisas que precisamos é entusiamar. A paróquia já esta preparada e com toda a estrutura para acolher esses jovens. Eles conhecerão nossa cultura. Vamos levar Cruz das Almas para o mundo.

Reportagem e foto: Maurício Medeiros

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