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Seca é apontada como responsável pelo aumento do preço da farinha no Mercado de Cruz das Almas

Preço chegou a subir 300% nos últimos oito meses (foto ilustrativa)
A seca tem sido uma das responsáveis pelo aumento de uma das paixões nordestinas no Mercado Municipal de Cruz das Almas. O preço médio da farinha chegou a R$ 5,00, o mesmo valor do feijão. A falta de chuva diminuiu a oferta de mandioca e os preços subiram até 200%. A expectativa de comerciantes , produtores e da Embrapa é que a situação não mude nos próximos meses.
O consumidor viu o preço da farinha subir mais de 300% no Mercado Municipal nos últimos oito meses. Rosimeire Conceição, que frequenta o lugar há 20 anos, reclama dos valores.
“Eu nunca paguei tão caro no produto. A seca está ruim mesmo”, esbraveja.
O motivo do acréscimo no valor da farinha foi repassado aos consumidores por causa do alto custo da mandioca, alega produtores e comerciantes. Segundo Diego Souza, vendedor no Mercado Municipal, a alta do preço foi grande.
“Pagávamos de R$ 70 a R$ 100 numa saca. Agora chegamos a desembolsar até R$ 350”, revela.
O líder da Associação Comunitária do Cadete e Três Bocas, Gilson Santos Conceição, confirma a seca como dificultador da produção da mandioca.
“Quem plantou na época da chuva conseguiu ganhar dinheiro. A tonelada da mandioca saiu de R$ 400 para R$ 1.200”, disse.
Gílson acredita que essa situação deve permanecer nos próximos meses.
“O aumento dos preços deve aumentar também a quantidade de produtores. Não agora. Só quando a chuva cair. Mas a mandioca demora para ser colhida”, alertou.
O pesquisador da Embrapa, Dr. Carlos Estevão Leite, supervisor de Gestão de Transferência de Tecnologia do CNPMF (Centro Nacional de Pesquisa Mandioca e Fruticultura), chama a atenção para os ciclos da cultura.
“Historicamente a mandioca tem ciclos de quatro anos. Vivemos agora uma confluência de situação. Ciclo de alta e estamos no período onde a sazonalidade atua. Novembro, dezembro e janeiro, tradicionalmente têm pouca oferta de mandioca”, ensina.
Estevão concorda com Gílson Santos quanto a demora da resolução do problema. Para ele, além do tempo para a chegada da nova safra e a instabilidade do tempo, a falta de maniva pode ser outro problema.
“A nova safra sofrerá com a falta de material de propagação. A seca fez com que muitos produtores ofecesse a maniva para alimentação animal. Apesar dos preços altos, que sempre atrai novos produtores, sem maniva não tem como produzir”, concluiu o pesquisador.
Maurício Medeiros

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