COMISSÃO DE CULTURA ORGANIZA A CATEGORIA E REALIZA O “I SIMPÓSIO CULTURAL DE CRUZ DAS ALMAS”
por Orlando Silva
Com o tema “Caminhos e desafios para o enfrentamento à pandemia”, o evento atraiu a categoria artística de Cruz das Almas e convidados de diversas cidades da Bahia. O debate revelou problemas no setor cultural no município e devem ser encaminhadas propostas aos poderes públicos.
O mundo ficou de ponta-cabeça a partir do primeiro semestre de 2020. O que já estava difícil ficou ainda mais complicado diante da pandemia causada pela Covid 19. Somente no Brasil são mais de 20 milhões de contaminados e mais de meio milhão de óbitos, vítimas da pandemia. Para evitar contaminação em massa, diversos setores da sociedade paralisaram as suas atividades, um dos primeiros foi o segmento cultural, comprometendo apresentações de Dança, Tradição e Folclore, Música, Artesanato, Artes Visuais, e Memória e Patrimônio histórico, artístico e cultural, causando desempregos formais e informais.
A situação já estava muito complicada para a cultura a partir do golpe de 2016, com a redução substancial de recursos para a cultura no governo Temer. Com a posse do governo Bolsonaro, em 2019, foi extinto o Ministério da Cultura passando a ser Secretaria Especial de Cultura do Ministério do Turismo. Isso não significa somente uma queda de status, foi uma ação proposital para conduzir a cultura como um instrumento de submissão à censura governamental e ainda reduzir drasticamente os recursos orçamentários para o setor. O que se conquistou, com muito esforço, no Congresso Nacional, foi a Lei Aldir Blanc, que ainda não foi aplicada por grande parte dos municípios brasileiros. Enquanto isso, a crise na área cultural se agrava ainda mais, prejudicando a classe artística.
Em Cruz das Almas, diante deste quadro de incertezas e dificuldades dos artistas da cidade, o segmento cultural se organizou e constituiu uma Comissão de Cultura com representantes de diversos setores da cultura municipal, são eles e elas: Paulinha Oliveira, Bimba da Gente, Meyre Kal, Telma Carvalho, Mestre Nego Jay, Adriano Silva, Yasmim Zambara, Anailton Franco, Binha Ferreira e Miriam Barros.

Foram 80 inscritos presenciais, 303 inscritos no canal e 990 visualizaçoes online. 28 na mesa
A primeira atividade da comissão foi a realização o I Simpósio Cultural de Cruz das Almas, no último dia 13 de agosto, sexta-feira, na Câmara de Vereadores. O objetivo do evento foi discutir os diversos aspectos da cultura local e os caminhos que este setor deve seguir para elevar o desenvolvimento e resolver questões relacionadas à categoria num momento difícil de enfrentamento à pandemia. Foram 80 inscritos presenciais, 303 inscritos no canal e 990 visualizações online .

Participaram do simpósio diversos agentes culturais, artistas, representantes dos poderes públicos e formadores de opinião sobre o assunto, que apresentaram críticas e alternativas para a crise do setor cultural em Cruz das Almas, a exemplo do vereador, presidente da Câmara, Thiago Chagas, que exaltou o evento, inédito na cidade e que incentiva os artistas a se unirem cada vez mais para que sejam valorizados pelo poder público com voz e vez e ainda sugere uma comissão permanente para organizar o São João, composta por diversos representantes da cultura local. Vagner Reis, advogado, falou sobre as licitações e as leis, que causam algumas dúvidas aos agentes culturais, assim como aos artistas. Ele ainda diz que a verba pública precisa ser passada para os artistas, mas tem os embaraços da burocracia, exigindo que os artistas se organizem também juridicamente para disputar os editais. Paulinha Oliveira, diretora de cultura do município disse se sentir muito feliz com o evento, que aponta os caminhos e desafios no enfrentamento à pandemia e que os artistas precisam se organizar a partir de agora, mesmo com as suas diferenças políticas, além de ressaltar a necessidade dos poderes públicos estarem comprometidos com as demandas da categoria. Já o professor Janio Roque, falou sobre os valores culturais e equívocos conceituais sobre a questão histórica do município, onde há negacionismo histórico e etinográfico. Para ele, deve haver a valorização das manifestações culturais, incluindo a contribuição indígena e afro-brasileira, e defende a transversalidade da cultura nas diversas ações governamentais, assim como, a valorização do patrimônio cultural, concluindo com a proposta de criação de um inventário das manifestações culturais da cidade e incentivo fiscal a empresários que estimulem tais manifestações culturais. O jornalista cruzalmense, Lucas Almeida, conta que iniciou os trabalhos na Rede Bahia no início do ano passado, no núcleo de entretenimento e logo chegou a pandemia. Fazer comunicação nesse período foi um desafio, e a partir daí começou a perceber o sofrimento da categoria de artistas e teve que se reinventar para fazer o trabalho de comunicação com a paralisação das atividades culturais. Ele ainda ressalta que a cultura move uma cadeia mais ampla, além dos artistas, são os motoristas, o pessoal que trabalha atrás do palco, fazendo toda a produção, enfim, são muitas famílias impactadas nesse processo. É trabalhando na maior emissora do Norte e Nordeste do país que Lucas, um jornalista negro, jovem, do interior da Bahia, tem o compromisso de propor uma comunicação descentralizada, pois, não há artistas somente na capital. Ele dá o exemplo dos artistas do Recôncavo e de Cruz das Almas, que merecem estar na cena, na tela, é o compromisso deste jornalista. A presidenta da casa da Cultura, Acidailza, fez críticas duras ao governo Bolsonaro e disse que fazer cultura é um ato político e quando a gente vê um governo que destitui o ministério da Cultura, a gente vê que esse governo não tem nenhuma relação próxima com o setor cultural. Faltam políticas públicas e isso vem de forma gritante.

Além destes oradores, participaram também da mesa expressando as suas contribuições para o debate Anailton Franco, André Eloy, Del Feliz, Albino Santana, Benedito Paiva, Hildebrando Sena, Acidailza Mascarenhas,Paulo Tear, ErriVance MC e Ricardo Pinheiro.

A segunda parte do evento foi no período da tarde, quando ocorreram apresentações culturais, o debate e encaminhamentos da categoria para serem encaminhados ao poder público municipal.
Aconteceram também apresentações culturais de grupos de capoeira 20 de Novembro, União, Roda da Praça e Berimbau de Ouro o Samba do Machucador e o Samba de Enxada.
Aconteceram também apresentações culturais dos grupos de capoeira 20 de Novembro, Roda da Praça, Cobra Can, Falcão dos Palmares e Berimbau de Ouro. Apresentaram-se também o Samba do Machucador e o Samba de Enxada.





