Lavar as mãos, tomar banho, lavar a roupa. Tarefas que, graças à água, fazem parte do cotidiano da maior parte dos baianos, e são ainda mais importantes para garantir a higienização na pandemia. No entanto, nem toda água que sai dos mananciais consegue chegar às torneiras: graças ao desperdício, 40% da produção escorre para o ralo diariamente na Bahia, segundo o estudo “Perdas de Água Potável: Desafios para a Disponibilidade Hídrica e ao Avanço da Eficiência do Saneamento Básico, divulgado nesta segunda-feira (31) pelo Instituto Trata Brasil em parceria institucional com a Associação Brasileira dos Fabricantes de Materiais para Saneamento (Asfamas) e elaboração da consultoria GO Associados. O material analisou as perdas d’água dos 27 estados brasileiros e suas cinco regiões, além do desempenho no saneamento básico das cem maiores cidades do país. O índice baiano é praticamente igual à média nacional: com os 39,2% do volume de água perdidos no Brasil, daria para abastecer pelo menos 60 milhões de famílias por um ano.
Regresso
O Brasil regrediu em relação ao desperdício: em 2015, 36% da água tratada não chegava de forma oficial às casas, colocando o país no sexto lugar entre os maiores ‘perdedores’ da América Latina. “O Trata Brasil já há alguns anos estuda a situação das perdas de água potável e estamos cada vez mais preocupados, pois os números só pioram. Ao não atacar o problema, as empresas operadoras de água e esgotos precisam buscar mais água na natureza, não para atender mais pessoas, mas para compensar a ineficiência. Em momentos de pandemia e pouca chuva, isso cobra um preço altíssimo à sociedade”, disse Édison Carlos, presidente do Instituto Trata Brasil. Enquanto são desperdiçadas 7,5 mil piscinas olímpicas diariamente, 35 milhões de pessoas não possuem acesso à água potável, tornando a lavagem constante das mãos uma realidade inacessível. Na Bahia, são 263 litros de água indo para os ralos por ligação a cada dia: se fosse levada em conta a recomendação da Organização Mundial de Saúde de ofertar 110L por dia para cada habitante, duas pessoas conseguiriam fazer seus afazeres e ainda sobraria um pouco de água para duas descargas no banheiro.
Combate
O desperdício acontece de duas formas. De acordo com o Trata Brasil, 60% das perdas aparecem através de vazamentos de água, ocasionados na maioria das vezes por canos estourados e problemas na tubulação. O restante é provocado por leituras incorretas dos hidrômetros e dos populares ‘gatos’, ligações clandestinas de água feitas para não se pagar pelo serviço da companhia. Além dos problemas e possíveis falhas na instalação, que podem comprometer a tubulação oficial, os ‘gatos’ são um foco para o gasto inconsciente, que agrava um problema já vivido pelo Brasil: cada cidadão gasta pelo menos 170L de água diariamente, acima do indicado pela OMS. Para Gesner Oliveira, sócio da GO Associados, é importante garantir que a água chegue às torneiras de todos através do combate ao desperdício. “A redução de perdas deveria ser uma prioridade nessa nova era, cujo foco é o aumento da eficiência com ênfase em soluções ambientais. Vivemos incertezas cada vez maiores com o ciclo de chuvas e aumento de temperatura, então atacar as perdas é estratégico pra quem quiser chegar à universalização”, ressalta.
Fonte: Tribuna da Bahia





