O comando da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia soltou nota oficial após o pronunciamento do presidente da República, Jair Bolsonaro, na quarta-feira. Ele afirmou em rede nacional de rádio e televisão que todos os brasileiros que desejarem serão vacinados até o fim do ano contra a covid-19. Para vários integrantes da CPI, o anúncio veio com “atraso fatal e doloroso”.
O documento foi assinado pelo senador baiano Otto Alencar (PSD). “A inflexão do Presidente da República celebrando vacinas contra a Covid-19 vem com um atraso fatal e doloroso. O Brasil esperava esse tom em 24 de março de 2020, quando inaugurou-se o negacionismo minimizando a doença, qualificando-a de ‘gripezinha'”, diz o comunicado.
“Um atraso de 432 dias e a morte de quase 470 mil brasileiros, desumano e indefensável. A fala deveria ser materializada na aceitação das vacinas do Butantan e da Pfizer no meio do ano passado, quando o governo deixou de comprar 130 milhões de doses, suficientes para metade da população brasileira. Optou-se por desqualificar vacinas, sabotar a ciência, estimular aglomerações, conspirar contra o isolamento e prescrever medicamentos ineficazes para a Covid-19”, continua.
“A reação é consequência do trabalho desta CPI e da pressão da sociedade brasileira que ocupou as ruas contra o obscurantismo. Embora sinalize com recuo no negacionismo, esse reposicionamento vem tarde demais. A CPI volta a lamentar a perda de tantas vidas e dores que poderiam ter sido evitadas”, completa.
Assinam o documento, além de Otto, os senadores Omar Aziz, Randolfe Rodrigues, Renan Calheiros, Tasso Jereissati, Humberto Costa, Eduardo Braga, Alessandro Vieira e Rogério Carvalho.
A CPI já tem calendário definido até o próximo dia 17 de junho. De acordo com o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede/AP), o próximo a falar é o ministro da Saúde Marcelo Queiroga, na terça-feira. No dia seguinte, quem será sabatinado é o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco. Ele era o braço-direito do ex-ministro Eduardo Pazuello na pasta.
No próximo dia 10, os senadores conversam com Wilson Lima (PSC), governador do Amazonas. Dia 11, Cláudio Maierovitch, ex-presidente da Anvisa, será interrogado. Ainda neste dia, a cientista da Universidade de São Paulo (USP), Nathalia Pasternak, vai dar seu ponto de vista sobre os questionamentos da CPI.
No dia 15 (terça), os senadores vão questionar o secretário de Estado de Saúde do Amazonas, Marcellus Campêlo. No dia 16 (quarta), o ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, presta seu depoimento. Por fim, no dia 17, os senadores convocam o empresário Carlos Wizard.
Fonte: Tribuna da Bahia





