O senador Otto Alencar (PSD-BA) protagonizou na última terça-feira, 8, mais um momento inusitado na CPI da Pandemia. O presidente do colegiado, Omar Aziz (PSD-AM), precisou suspender por dez minutos a sessão de depoimento do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em razão de uma discussão acalorada entre o titular da pasta e o baiano.
Queiroga afirmou que não leu as bulas das vacinas aplicadas no Brasil e que o papel dele é conseguir os imunizantes. O senador disse que a autoridade máxima de saúde do país deveria conhecer essas informações e questionou algumas orientações do ministério que, segundo ele, contradizem as bulas.
“Lamento o senhor não ter lido, porque eu li, de todas”, disse o senador, que também é médico. “O senhor é a autoridade sanitária desse país, determina como a vacina deve ser aplicada e quem deve tomar a vacina”. Otto disse que ignorar a bula e não conhecer a posologia e os efeitos colaterais dos imunizantes seria o “ato mais irresponsável que um ministro da Saúde poderia fazer”.
Ao questionar a escolha do ministério sobre o período de aplicação da segunda dose da vacina da Pfizer, Alencar esquentou o interrogatório de Queiroga, e o tom do ministro também se elevou. “Vossa excelência não pode querer desqualificar a autoridade sanitária do Brasil por ter lido ou não uma bula”, respondeu Queiroga ao senador. “O senhor está levantando a voz para mim”, rebateu Alencar. “Não estou não”, disse Queiroga.
A vacinação de gestantes também gerou uma discussão entre o ministro e o senador. Foi quando Aziz precisou intervir e suspender a sessão. “Me fala a verdade, ministro. A ciência não pode mentir”, disse Alencar. “Eu sempre falo a verdade”, respondeu Queiroga. “Não fala, não”, rebateu o senador.
O senador disse ainda que o ministro estaria promovendo uma “pseudovacinação” no país, ao que ele respondeu que aplicou 70 milhões de doses no país de norte a sul e não aceitaria que isso fosse desqualificado. Irritado, Queiroga retrucou. “Apliquei 70 milhões de vacinas pelo Brasil”, disse o ministro, que pediu que Aziz colocasse “ordem” na sessão.
Antes de fazer as perguntas ao ministro, Alencar exibiu um vídeo com episódios em que o presidente Jair Bolsonaro foi “grosseiro” ao se dirigir a mulheres. A exibição foi uma resposta aos que criticaram o tratamento dado pelo senador à médica Nise Yamaguchi durante depoimento na CPI, entre eles, Bolsonaro. “Não fui grosseiro com a doutora Nise”, disse Alencar.
Com a altercação, o presidente da Comissão, Omar Aziz (PSD-AM) determinou uma interrupção por dez minutos. Apesar de Queiroga já ter demonstrado irritação em outros momentos da oitiva, o debate foi o mais acirrado até agora.
Fonte: Tribuna da Bahia





