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CRESCIMENTO DOS ÓBITOS EM CRUZ DAS ALMAS É DE 23,5% EM 30 DIAS

Por Orlando Silva

A pandemia provocada pela Covid 19, que já matou mais de meio milhão de pessoas só no Brasil, tem características e efeitos a partir das políticas públicas e planos de combate à doença nos diversos cantos do mundo. Apresentamos um breve artigo de Hélder Carvalho, bioquímico, sindicalista, diretor regional Nordeste do Sinpaf – Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário. Hélder faz uma análise do comportamento e crescimento da COVID 19 em Cruz das Almas do início da pandemia e também em relação a algumas cidades do Recôncavo da Bahia. Os números podem sofrer discretas modificações pela Secretaria de Estado da Saúde. Segue o artigo:

AGRAVAMENTO DA COVID-19 EM CRUZ DAS ALMAS É PREOCUPANTE

* Hélder Carvalho 

Helder Carvalho/Redes Sociais

A pandemia de Covid-19, que já ceifou a vida de mais de meio milhão de brasileiros, é o flagelo mais grave que já atingiu o Brasil. Desde o momento em que o primeiro caso foi identificado em território nacional, foi possível observar uma forte correlação entre a gestão pública da crise e os resultados alcançados, em qualquer nível da federação.

Estados e municípios que promoveram campanhas educativas e implantaram restrições de circulação e barreiras sanitárias de forma proporcional ao aumento dos casos tiveram maior sucesso na contenção da Covid-19, ao passo em que aqueles que afrouxaram precocemente tais medidas sofreram consequências graves, pagando com o aumento de internações e óbitos. Entra nessa conta o reconhecimento das descobertas científicas pelos gestores e a eficiência da vacinação local.

Em Cruz das Almas, que tem 65.000 habitantes, está sendo observada uma tendência preocupante. Nos últimos 30 dias, a Secretaria de Estado da Saúde da Bahia (SESAB) notificou 12 óbitos por Covid-19, tornando esse o período com mais mortes registradas em toda a pandemia.

Não é só isso: se ao final do ano 2020, a cidade marcava 21 mortes por Covid-19, hoje ela acumula 63. O número de mortos triplicou em apenas seis meses e meio, com 42 mortes apenas em 2021, ao contrário das 21 mortes nos nove meses de pandemia de 2020. A gravidade desse aumento é notada quando se compara a taxa de crescimento do número de óbitos de Cruz das Almas com a de municípios vizinhos. Enquanto a taxa de crescimento de óbitos foi de 3,8% em Cachoeira, 7,3% em Santo Antônio de Jesus e 12,5% em Feira de Santana, a taxa de crescimento dos óbitos em Cruz das Almas foi de 23,5% nos últimos 30 dias.

Ao longo de 2020, diversas medidas foram tomadas para garantir a segurança da população e a contenção da propagação do Coronavírus. Carros de som foram colocados nas ruas para alertar a população dos perigos, barreiras sanitárias foram instaladas e restrições de locomoção e de funcionamento do comércio foram determinadas em decreto. No ano de 2021, todas essas medidas foram abandonadas. O atual Prefeito, que se elegeu prometendo que não fecharia o comércio, chegou a pedir intervenção do Judiciário para descumprir o decreto do Governo do Estado que determinava a restrição do funcionamento de serviços essenciais. Além disso, nomeou seu genro, que não tem formação na área, como Secretário Municipal de Saúde. Enquanto os gestores do município se negam a tomar atitudes mais incisivas para conter a transmissão do vírus, o povo paga com a perda de um alto número de vidas, apesar do avanço da vacinação. A política do “morra quem morrer” não está dando certo.

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