
Os reflexos da explosão de casos do novo coronavírus podem ter contribuído para que o Brasil começasse 2022 com um recorde de vidas perdidas num único mês. Dados compilados pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen/BR) revelaram que os cartórios registraram 144.341 óbitos no país apenas em janeiro, maior número desde o começo da série histórica da entidade, em 2003. Destes falecimentos, 21,7 mil decorreram de pneumonia, número 70% maior do que o visto em 2021, quando 12,7 mil brasileiros perderam a batalha contra a doença respiratória. Além disso, aumentaram também as mortes por outros sintomas respiratórios, como a septicemia (+23%) e a Síndrome Respiratória Aguda Grave (+9%).
Na Bahia, os cartórios notificaram 28.108 óbitos, de acordo com as informações do Portal da Transparência Civil, sendo que 4,9 mil vidas foram perdidas em Salvador. O Estado teve aumentos expressivos nas mortes por sintomas respiratórios: em janeiro de 2022, foram 1,1 mil casos de pneumonia, o dobro dos 550 registrados no ano passado; os casos de SRAG subiram de 39 para 100 (+61%), e os falecimentos por septicemia passaram de 759 para 943 (+19,5%). As mortes por causas cardiovasculares inespecíficas tiveram um salto de 481 para 635 ocorrências no comparativo entre o ano passado e este. Os números ainda podem aumentar, tendo em vista que os prazos para registros podem se estender em até quinze dias entre o falecimento e o lançamento no Portal. Em alguns lugares do país, esse prazo foi dilatado justamente por conta da pandemia.
Para a Arpen, esses aumentos confirmam a situação de emergência vivenciada pelo país até aqui. “Os números dos Cartórios de Registro Civil mostram mais uma vez, em tempo quase que real, o retrato fidedigno do que acontece com a população brasileira. Embora haja uma diminuição clara nos óbitos por Covid-19, ainda não se conhecem todos os efeitos das novas variantes, em especial da Omicron, que, diante do aumento de casos no último mês, parece ser a causa do crescimento de óbitos de outras doenças, como a pneumonia, doenças do coração e septicemia”, disse Gustavo Fiscarelli, presidente da associação de registradores, destacando ainda o aumento das mortes violentas com a flexibilização das medidas de distanciamento social. No Brasil, as mortes por causas violentas tiveram um aumento de 81% em 2021; na Bahia, o aumento foi de 11% em comparação ao primeiro ano de pandemia, conforme informação disponível no Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Os falecimentos com suspeita ou confirmação de Covid-19 conhecidos pelos cartórios tiveram uma queda de 61 % na Bahia considerando o período avaliado pela Arpen: se em janeiro de 2021 eram 1.311 certidões de óbitos emitidas, no mês passado foram 512. Porém, a população não se deve deixar enganar em relação ao potencial da Omicron e suas consequências, principalmente por conta do papel fundamental das vacinas para evitar que mais óbitos aconteçam. A nova titular da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), a médica Adélia Pinheiro, fez um novo alerta aos atrasados: por aqui, são mais de 5,6 milhões de cidadãos que não apareceram para tomar uma das três doses dos imunizantes. Tribuna da Bahia





