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Cruz das Almas: 125 anos de emancipação política

Por Mário do Jornal

Neste 29 de julho, Cruz das Almas completa 125 anos de emancipação política.

Este fato se deu após o desmembramento de São Félix, através da Lei 119 de 29 de julho de 1897. Foram separados cerca de 143 km², que correspondem as atuais dimensões da Rainha do Planalto. Em números, estamos entre os menores municípios da Bahia, quiçá do Brasil.

Em contraste com o pouco espaço geográfico que ocupamos, as nossas cultura e histórias são riquíssimas, remetendo ao imaginário, ao sincretismo religioso, à peregrinação.

Aprendemos desde cedo que Cruz das Almas surgiu após o desenvolvimento de conglomerados urbanos em volta de um cruzeiro instalado na Praça Senador Themístocles, em frente a atual catedral de Nossa Senhora do Bom Sucesso.

Embora concorde com a versão do cruzeiro, discordo que os primeiros traços civilizatórios do que conhecemos como Cruz das Almas tenha surgido na atual Praça Senador Themístocles, mas sim na localidade da Embira.

Por que a Embira?

Bom, é fato que esta localidade é uma das mais antigas da região. Ali surgiram as primeiras lojas de confecções e armazéns tipo secos & molhados, a primeira capela e o primeiro cemitério. Há de se observar também o vocábulo que nomeia o lugar, que tem semelhanças com a linguagem usada pelos povos Cariris e Sabujás, sendo estes os verdadeiros primeiros habitantes do Recôncavo da Bahia.

Embasando a minha versão sobre o nascimento de Cruz das Almas, a já mencionada primeira capela do município, na Embira, fora construída em local estratégico. A capela foi erguida  de frente  pra o  nascente. Já na sua lateral a estrada de tropas que ligava a Chapada Diamantina ao porto da Cachoeira, de onde as mercadorias seguiam de navio para Salvador. No cruzeiro, onde foi levantada  a capela, os tropeiros rezavam para as almas, descansavam , se alimentavam e servia também como ponto de encontro.

Em suma, na Embira passa um riacho que desagua no Rio de Tomaz e o antigo lugarejo, hoje bairro, fica situado entre a Lagoa Grande e o Engenho da Lagoa, local com água em abundância, usada tanto para os animais, como para o consumo humano.

Tínhamos o cruzeiro, a igreja e a estrada de tropas que são amplamente mencionados na versão oficial da história de Cruz das Almas.

Dessa forma, pergunto, por que não a Embira?

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