
Na tarde da última quarta-feira, 27, a página oficial na rede social Instagram do prefeito de Cruz das Almas, Ednaldo Ribeiro (Republicanos), publicou um vídeo no qual aparece o vereador Roberto Ximba (PP) discursando favoravelmente sobre a qualidade da gestão municipal. Na postagem, Ednaldo disse estar “muito feliz e orgulhoso em ouvir um depoimento desse vindo de um parlamentar da oposição”. No entanto, as palavras admiradas do gestor de Cruz das Almas não aparecem frequentemente.
Para quem não está totalmente inteirado sobre as disputas políticas, Roberto Ximba faz parte do Partido Progressistas do bloco de oposição. Além dele, há outros sete edis que completam o grupo antagônico, formando a maioria da Câmara de Vereadores de Cruz das Almas.
O reconhecimento é louvável, como o próprio prefeito destaca, mas, nas entrelinhas dos recentes acontecimentos, levantam questões que merecem um pouco da nossa reflexão.
Não é sempre assim
Dois dias depois, na sexta-feira, 29, o Bahia Recôncavo publicou que os parlamentares Pedro Melo (PT), Pablo Rezende (PT), Ricardo Pinheiro (PP) e Osvaldo da Paz (PT) protocolaram uma queixa-crime contra Ednaldo Ribeiro por ofensas proferidas durante um evento de reinauguração de uma escola municipal. Adjetivos como “mentirosos” e “ladrões” foram ditos no momento.
Outras frases como “nos ajude fortalecendo e botando o dedo na cara daqueles que não têm o amor por a nossa cidade” e “a roubalheira era demais e esses quatro vereadores, esses quatro ex-secretários roubavam o dinheiro de vocês e não trabalhavam pela minha terra” também foram utilizadas no discurso do prefeito. O que evidencia um desequilíbrio dos elogios à oposição.
Mas o que um fato tem a ver com o outro?
As críticas, bem como os elogios, fazem parte da vida de qualquer pessoa que esteja em visibilidade. Porém, os comentários desmedidos e o uso de tom agressivo podem incitar diferentes níveis de eleitores em um país polarizado e inseguro, o que é extremamente perigoso, inapropriado.
Outras críticas
Em aparições recentes, Ednaldo tem adotado o tom crítico aos opositores sobre votações de requerimentos que cobram justificativas, dados e/ou presença de funcionários do alto escalão da Prefeitura na Câmara. Em mais de uma vez, foi passada a ideia de que os requerimentos têm o intuito de atrapalhar o governo. Este mesmo argumento é utilizado pelos vereadores de situação, que constituem a base da gestão do prefeito, para votar contrariamente, mesmo que as solicitações cobrem transparência política/financeira. Em suma, uma das prerrogativas da função parlamentar em nossa democracia, que é a de fiscalizar, é reduzida, não é muito bem compreendida ou simplesmente não é aceita.
A democracia precisa do contraditório
O que é necessário entender é que a democracia se constitui com a presença do contraditório, com a pluralidade de pensamentos, ações e vozes. Um requerimento, uma opinião respeitosa, um texto jornalístico, uma fiscalização ou uma crítica podem ser construtivos para uma gestão segura e transparente.
Mas, sim, eu entendo: as narrativas políticas podem ser mudadas e utilizadas pelos agentes políticos da oposição e da situação, e sei também que fazem parte do jogo, apesar de que não me pareçam eticamente aceitáveis.
Por Leonardo Gonçalves





