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Transtorno alimentar: entenda principais tipos e como devem ser tratados

Especialista explica como ajudar alguém que sofre com esses distúrbios.

Distúrbios alimentares são condições de saúde mental que afetam milhões de pessoas em todo o mundo, causando preocupações tanto físicas quanto emocionais. Esses distúrbios podem ter sérias consequências para a saúde e a qualidade de vida dos indivíduos afetados. 

A busca pelo corpo “perfeito” por meio de dietas restritivas, a percepção de que somente pessoas muito magras são bonitas, comentários a respeito do peso frequentes no ambiente familiar, questões genéticas – são muitos os fatores que podem levar uma pessoa a desenvolver um transtorno alimentar, distúrbio psiquiátrico que causa disfunções no comportamento alimentar, muitas vezes acompanhadas de preocupação excessiva com o peso e grande sofrimento psíquico.

O padrão de beleza pode adoecer, a ideia de que um corpo magro é mais valorizado pela sociedade muitas vezes começa dentro de casa, com os próprios familiares fazendo comentários depreciativos a respeito de pessoas fora desse padrão.

“A cultura de obsessão pela magreza, pelo o que é saudável, a forma como a família se relaciona entre si e com a comida também são fatores que podem levar ao desenvolvimento de um transtorno alimentar.” Conta a psicóloga Talita Padovan.

Estima-se que hoje, em todo o mundo, mais de 70 milhões de pessoas tenham algum transtorno alimentar, como anorexia nervosabulimia nervosa e compulsão alimentar, entre outros. Além de causar um grande prejuízo físico e mental na vida dos pacientes, já que normalmente as questões relacionadas ao comer e à imagem corporal tornam-se centrais no seu dia a dia, em casos graves, alguns transtornos podem levar à morte. 

“Não enfatizo que estar acima do peso ou abaixo do peso é ideal,o alerta é que inúmeras pessoas hoje têm transtornos como este, por querer se encaixar no padrão da sociedade. O importante é estar saudável fisicamente e psicologicamente, ou seja, cuidar da sua saúde mental”, explica a especialista. 

Talita destaca que a forma física e o peso dependem de diversos fatores, e não somente do quanto se come ou o quanto se gasta em atividade física. O primeiro ponto é ter consciência disso.

 “Tem muitas outras questões envolvidas aí. Então, essa ideia de que se você trabalhar duro e for restrito na sua alimentação você vai conseguir esse corpo magro é uma grande mentira, e isso sem sombra de dúvidas adoece a muitas pessoas – independentemente de elas desenvolverem um transtorno alimentar ou não. Piora a relação com o corpo, piora a insatisfação corporal, aumenta os sentimentos de ansiedade, e é um fator de risco para depressão.”

É comum que pessoas com transtornos alimentares desenvolvam outros transtornos psiquiátricos, como depressão – o mais comum –, transtornos de ansiedade, de personalidade e também dependência de álcool e outras substâncias. Porém, é preciso atenção nesse ponto porque o quadro de desnutrição na anorexia pode causar sintomas semelhantes aos de depressão, mas que desaparecem com o restabelecimento de uma alimentação adequada. 

Como ajudar alguém com transtorno alimentar 

Segundo Talita, para ajudar alguém nessa situação, é preciso ter um olhar gentil, buscando acolher, amparar e cuidar dessa pessoa. “É importante que a nossa preocupação seja muito mais de uma aproximação e acolhimento do que um apontamento. Muitas vezes frases como “eu queria saber se você está bem, se você precisa de ajuda” ou “eu estou aqui se você quiser conversar sobre o que está acontecendo”, são uma forma do paciente se sentir mais seguro, de poder falar sobre essas questões e, num segundo momento, poder buscar atendimento, poder buscar uma forma diferente de lidar com essas questões.”

O tratamento padrão-ouro dos transtornos alimentares é multidisciplinar e deve incluir sempre acompanhamento com psiquiatra, psicólogo e nutricionista. A psicóloga destaca que é importante o papel da família também fazer muita diferença nessa etapa. “A rede de apoio familiar é essencial e também faz parte do tratamento, sendo tão importante quanto a equipe. Tanto o paciente quanto os familiares precisam ter paciência e perseverança, pois é um processo de muitos altos e baixos”, completa a especialista. 

Em vista disso, todo transtorno alimentar é reflexo de uma relação conturbada que a pessoa tem – seja ela com os alimentos, seja ela com o ato de comer, e até mesmo com o seu corpo. Portanto, Talita reforça que é importante procurar ajuda psicológica e até psiquiátrica.

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