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18 anos da Lei Maria da Penha: entenda como surgiu, avanços e desafios, número de casos e centro de referência em Cruz das Almas

A Lei Maria da Penha, sancionada em agosto de 2006, completou 18 anos no último dia 7. Proposta por grupos da sociedade civil, a lei se tornou um marco no combate à violência doméstica e familiar contra a mulher no país.

A promulgação deste dispositivo ajudou a garantir na sociedade brasileira a defesa de direitos para as mulheres. Mas, a realidade é que, ano após ano, os casos de agressão contra pessoas do sexo feminino no país só aumentam.

Como surgiu?

A Lei 11.340/2006 leva o nome da farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes que se tornou símbolo na luta contra a violência à mulher após ser vítima de agressões praticadas pelo seu ex-marido, o economista Marco Antônio Heredia Viveiros.

No ano de 1983, enquanto Maria dormia, Heredia a atingiu com um tiro nas costas. Por conta do disparo, ela ficou paraplégica. Na época, houve provas o suficiente para conseguir condená-lo, mas Marco Antônio continuou em liberdade.

Em 2001, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos condenou o Brasil pelo caso Maria da Penha. De acordo com a entidade, o país era omisso e negligente no combate à violência doméstica. A Comissão indicou ainda que o Brasil indenizasse Maria da Penha e criasse também políticas públicas contra a violência doméstica.

Por dois anos, grupos da sociedade civil debateram acerca da legislação brasileira e elaboraram a minuta de uma lei. Esse primeiro rascunho passou por debate em audiências públicas e foi aprovado pelo Congresso em 2006.

Avanços e desafios

No primeiro parágrafo, a lei afirma que o Estado é o responsável por coibir a violência praticada contra mulheres no contexto doméstico e familiar. Antes, os casos de agressão eram tratados como pequenas causas e direcionados aos Juizados Especiais, ou seja, se via apenas um pequeno potencial ofensivo.

Um avanço significativo que houve na sociedade brasileira a partir da lei em 2006 foi também a definição de que violência doméstica não é apenas a agressão física. Com isso, foram englobadas também as violências sexual, patrimonial, moral e psicológica.

Além disso, foram introduzidas as medidas protetivas de urgência. Em situações de risco de morte, a mulher que se sentir ameaçada pode pedi-la na delegacia no momento em que tiver registrando a denúncia. E a justiça terá 48 horas para dar uma resposta.

Para além disso, a Lei determina que sejam realizados programas educacionais e grupos reflexivos para a reabilitação de agressores.

No entanto, todo avanço que a lei trouxe não foi o suficiente, os desafios enfrentados são grandes. Percebe-se que a violência doméstica é algo que se perpetua na sociedade brasileira cotidianamente e o ciclo nunca se encerra. A impunidade existente e a falta de mecanismos que garantam às mulheres a proteção de seus direitos só piora a situação.

Número de casos

Segundo dados da Rede de Observatórios da Segurança, durante o ano de 2023 ao menos oito mulheres foram vítimas de agressão doméstica a cada 24 horas. Os números referem-se a oito estados da federação, são eles: Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Piauí, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo.

Num total, foram registrados, no ano passado, 3.181 casos de violência contra a mulher, um aumento de 22,04% em relação a 2022. Esses dados englobam ameaças, torturas, ofensas, agressões, assédios e feminicídios.

A campanha “Sou Mulher Quero Respeito” da Rede Bahia divulgou na última segunda-feira (12), que já foram noticiados em 2024, no estado baiano, 163 casos de violência contra a mulher.

Esses dados falam em:

Feminicídios42 casos
Tentativas de Feminicídio19 casos
Agressões Físicas17 casos
Violência Sexual22 casos
Ameaça5 casos
Assédio Sexual2 casos
Cárcere Privado6 casos
Importunação Sexual7 casos
Casos em Investigação43 casos

Dos casos de feminicídio, um dos últimos registrados no fim de semana chama a atenção. A delegada da Polícia Civil Patrícia Neves Jackes Aires foi assassinada pelo noivo em circunstâncias que ainda estão sendo investigadas pela polícia. Fato é que casos como esse mostram que todas as mulheres estão suscetíveis a agressões doméstica e familiar.

Centro de Referência e Atendimento à Mulher em Cruz das Almas

O Centro de Referência e Atendimento à Mulher Maria Joaquina (CRAM), localizado em Cruz das Almas, tem por objetivo atender mulheres que passam por situação de violência. O equipamento oferece serviços de atendimento social, acompanhamento psicológico e apoio jurídico.

Segundo informações da coordenadora do Centro, Laira Amaral, no ano de 2023 foram atendidas 99 demandas através do telefone, 61 atendimentos no jurídico, 129 atendimentos psicológicos e 68 atendimentos através da assistência social. Esse levantamento é feito anualmente.

O CRAM fica localizado na Rua Ruy Barbosa, nº 775, Centro, em frente ao colégio Cetep. O atendimento também é feito pelo WhatsApp através do número (75) 3621-3252.

Por Emerson Gesteira

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