O botijão de gás de cozinha de 13kg vendido na Bahia chega a ser 75% mais caro que o distribuído pela Petrobras em outros estados do Brasil. O levantamento foi realizado e divulgado pelo economista Eric Gil, do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps) e da Associação dos Engenheiros da Petrobras, Núcleo Bahia (Aept-BA). A divergência dos preços ocorre devido à privatização e à falta de concorrência enfrentada pela Acelen, que controla a refinaria.
No último dia 1° de fevereiro, a Acelen anunciou um reajuste no preço do gás de cozinha, que atualmente é vendido aos distribuidores a R$ 60,85. Com os novos valores, a Bahia passou a ter o quarto maior preço do Brasil. Já a Petrobras comercializa o mesmo produto por R$ 34,70.
Para o economista Eric Gil, a Acelen cobra preços acima dos estabelecidos internacionalmente.
“Ela (Acelen) se beneficia de um mercado sem concorrência na Bahia, já que é a única grande produtora no estado. Mas, para além de estar cobrando um preço 75% acima da Petrobras, ela também cobra preços acima dos internacionais, que atualmente são de R$ 45, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)”, afirma.
Privatização
A Refinaria de Mataripe foi privatizada em março de 2021 durante o governo Bolsonaro. A Petrobras vendeu a Refinaria por R$ 1,65 bilhão para a Acelen. Além de ter trazido aumento nos preços dos combustíveis e no gás de cozinha, as polêmicas da venda incluem preço muito abaixo do esperado, queda na arrecadação de impostos na Bahia e perda de empregos.
Posicionamento Acelen
Em resposta à publicação do Bahia Recôncavo referente aos valores praticados na Bahia, a assessoria de comunicação da Acelen entrou em contato esclarecendo que “o preço do GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) da Refinaria de Mataripe segue critérios do mercado internacional que levam em consideração variáveis como custo do petróleo, que é adquirido a preços internacionais, dólar e frete, podendo variar para cima ou para baixo” e que no mês de janeiro estes valores “foram impactados pela forte alta do dólar”, justificando o reajuste.





