
O Dia Mundial de Conscientização do Autismo, comemorado em 2 de abril, reforça a importância do diagnóstico precoce e da construção de uma sociedade mais acolhedora. Em alusão à data, o Programa Radar do Povo realizou uma edição voltada ao tema na última segunda-feira (6).
A transmissão reuniu relatos e reflexões sobre os desafios enfrentados por familiares de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), trazendo à tona questões como sobrecarga emocional. Durante o programa, participaram as mães de crianças autistas, Patrícia Bispo e Nalva Barreto, que compartilharam suas experiências enquanto cuidadoras.

Patrícia, mãe de um menino de oito anos, destacou os desafios emocionais enfrentados no dia a dia. Ao relembrar o momento do diagnóstico, ela contou que precisou se reorganizar enquanto mulher e mãe. “Quando descobri o autismo, eu entendi que ali eu tinha uma missão maior, e eu fui ficando para trás”.
“As pessoas têm o costume de achar que eu sou forte, que não preciso de nada. Até mesmo em minha casa eu prefiro não chorar na frente de Davi, porque percebo que ele fica apreensivo quando me vê triste, achando que é culpa dele”, afirmou Patrícia.

Entre os relatos, a experiência de Nalva Barreto também chamou atenção pelas mudanças nos planos e perspectivas de vida. “Eu tinha muitos sonhos, mas depois do meu filho tudo mudou. Eu sonhava em me formar, trabalhar, aproveitar um pouco. Só que quando a gente passa a ser mãe, tudo se transforma; mas eu não digo que foi pra pior”, contou.
“Teve uma vez que eu desmaiei em casa, estávamos só eu e Anderson, que tinha cinco anos na época. Ele pegou meu dedo, colocou a digital no celular e ligou para o grupo da família para pedir socorro. Esse foi o maior ensinamento que tive com ele”, destacou.
Nesse sentido, a apresentadora do programa, Valéria Damasceno, afirma que a proposta foi dar visibilidade às vivências de mães atípicas e ajudar a sociedade a enxergar o tema com mais empatia. “Quisemos mostrar que, por trás do diagnóstico, existe uma mulher que vive uma rotina intensa, muitas vezes sozinha e sem apoio”.
Valéria também ressalta que os meios de comunicação têm papel fundamental para conscientizar a sociedade.
“Nós formamos opinião e, quando falamos sobre o autismo de forma responsável e humana, ajudamos a quebrar preconceitos e levar informação para quem, muitas vezes, não tem acesso. A comunicação tem o poder de educar”, destaca.
A fala da apresentadora reforça a importância de ampliar o acesso à informação sobre o tema. Vale ressaltar que o autismo não é uma doença, mas uma condição neurológica que pode afetar o desenvolvimento social, comunicativo e comportamental.
Os sinais costumam surgir na infância, como dificuldade para manter o contato visual, comportamentos repetitivos e sensibilidades sensoriais, e podem persistir ao longo da vida. Embora não haja cura, o acompanhamento adequado e individualizado contribui para o desenvolvimento de habilidades e para a melhoria da qualidade de vida.
Por Fernanda Amordivino





