Da paixão à carreira: Julinha Sanfoneira constrói trajetória artística
Cruzalmense chega à final da Batalha de Sanfoneiros da Rede Bahia e representa a cidade na disputa
Fernanda Amordivino
“A sanfona foi uma chave de virada em minha vida. Ela me transformou em quem eu sou hoje”, é assim que Ana Júlia, popularmente conhecida como Julinha Sanfoneira, de 19 anos, define sua relação com o instrumento. Agora, a jovem está entre os finalistas da Batalha de Sanfoneiros promovida pela Rede Bahia, que reúne músicos de diferentes regiões do estado.
A votação está aberta no portal G1 e o vencedor será anunciado nesta sexta-feira (19), durante o Jornal da Manhã, da TV Bahia.
De acordo com Júlia, sua história com a sanfona começou há seis anos, de forma inesperada. O interesse pelo instrumento surgiu primeiramente de sua irmã mais velha, Juliana.
“Ela conseguiu uma sanfona simples, com foles furados e toda remendada de arame. No começo, eu não gostava muito, porque era pesada e difícil de aprender. Naquela época, eu desisti, mas o tempo passou, eu me desafiei e não parei até hoje”, relata.

Mulheres ampliam presença no universo da sanfona
Segundo Julinha, construir sua trajetória artística em Cruz das Almas carrega um significado que vai além da música. Para ela, a presença feminina no universo da sanfona ainda chama atenção por desafiar a ideia de que esse é um espaço predominantemente masculino.
“Na verdade, é um marco. Quando se vê uma mulher tocando sanfona, quebra-se todo um padrão. A nossa presença vai revolucionando esse cenário. E isso é bom, porque faz com que outras meninas não desistam dos seus sonhos e façam aquilo que o coração manda”, afirma.

Ela conta que, quando começou a tocar, ainda não tinha grandes referências. Com o tempo, passou a acompanhar nomes tradicionais, como Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Dorgival Dantas. No entanto, foi ao buscar representações femininas que encontrou um novo significado para sua trajetória.
“O meu coração ardia por encontrar alguma mulher nesse meio. Foi quando conheci uma das minhas maiores inspirações, que é a Lucy Alves”, relata.
Entre os momentos marcantes proporcionados pela música, Julinha destaca seu encontro com a sanfoneira Lara Amélia, filha do cantor Flávio José, durante uma apresentação realizada em Cruz das Almas.
“Foi um momento incrível, uma experiência muito boa. No nosso meio, vamos inspirando e ajudando umas às outras”, afirma.
Da persistência ao reconhecimento
Para Ana Júlia, a tentativa de participar da Batalha de Sanfoneiros começou há três anos. No entanto, foi somente neste ano que a cruzalmense conseguiu garantir sua vaga e chegou à última fase.
Ao todo, mais de 50 sanfoneiros se inscreveram. Desses, 15 foram selecionados para avançar na competição, mas apenas cinco chegaram à fase final.
“Estar entre os cinco finalistas é muito emocionante. E ver que, entre eles, três são mulheres torna esse momento ainda mais especial. Representar a sanfona ao lado delas e mostrar que na Bahia também existem sanfoneiras e forrozeiras tem sido motivo de muita alegria”, afirma.

Para Julinha, independentemente do resultado, chegar nessa etapa representa um marco na sua carreira e também uma oportunidade de ampliar o alcance do próprio trabalho.
“É uma oportunidade única. A gente conhece pessoas, recebe apoio e percebe que tem gente acompanhando e acreditando no nosso trabalho. Isso mostra que todo o esforço, estudo e a dedicação ao longo dessa trajetória estão valendo a pena”, finaliza.
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