Produção de cartilha estimula debate para legalização do fabrico das espadas

Rafael Barros, formado em História, com mestrado em Ciências Sociais, é o responsável pela realização do Projeto Salvaguarda Cultural, com o tema Valorizando Elementos da Cultura Cruzalmense, patrocinado pela Secretaria Estadual de Cultura. Na tarde deste sábado (10), no Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Cruz das Almas, ocorreu a apresentação das propostas elaboradas pelos espadeiros da cidade nas oficinas realizadas por um grupo quem vem se reunindo nos últimos meses para a construção de uma cartilha que será apresentada no final do projeto, marcado para setembro.
Morador de Conceição do Almeida, Rafael deixou claro à reportagem do Bahia Recôncavo que a intenção da cartilha e do projeto não é “legalizar o fabrico de espadas”, mas “fomentar o debate e oferecer ferramentas na formação de uma associação que lute para não criminalizar o artefato”, disse, a uma plateia pequena. “Com esse texto podemos nos subsidiar para criar o remédio jurídico que conteste a proibição”, ensinou.
Nas oficinas os espadeiros assistiram palestras sobre teoria de cultura, direito e cultura e técnicas conscientes de produção. Os presentes aos eventos anteriores formularam propostas para tentar regulamentar o fabrico e a queima da espada, proibida pela Justiça desde 2011.
Um dos questionamentos de Rafael e do advogado Fabrício Barros é a classificação da espada como arma de fogo, feita pelo promotor da Comarca de Cruz das Almas, Cristian Menezes. “Quando vamos à definição, vemos que são coisas completamente diferentes”, defendeu.
Segundo as propostas apresentadas neste sábado, estão a criação de locais regulamentados para o fabrico, estabelecimento de 10 ruas liberadas para a queima, fundar uma associação ativa e sem vínculos políticos, regulamentar 23 de junho, das 18h às 22h, e 24, das 10h às 20h, como dias e horários permitidos para a queima, criação de um selo que certifique os artefatos produzidos legalmente, cadastramento dos produtores, garantir o direito de ir e vir daqueles que não fazem parte da queima, criação de um conselho para compra e venda de materiais e capacitação dos fabricantes.
Segundo Rafael, o próximo passo é escrever a cartilha e a intenção é apresentá-la à comunidade no dia 21 de setembro. O local desejado por ele para mostrar o trabalho é a Câmara de Vereadores. “Mas antes ainda teremos um encontro para eu apresentar o texto final às pessoas que ajudaram na produção”, explicou. Reportagem e foto: Maurício Medeiros





